Chamadas
PEC do Pacto Federativo: R$ 400 bilhões da União serão distribuídos a estados e municípios em 15 anos

Apontada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como o primeiro capítulo do “livro” que propõe a Transformação do Estado Brasileiro, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Pacto Federativo foi apresentada pelo secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, nesta semana, durante coletiva de imprensa em Brasília.
Waldery Rodrigues: É uma verdadeira mudança na Federação brasileira
Formulada pela equipe econômica em conjunto com o Congresso Nacional, a PEC do Pacto poderá destinar cerca de R$ 400 bilhões da parte da União para estados e municípios nos próximos 15 anos, com recursos referentes a royalties e participações especiais do petróleo. De acordo com Waldery, o objetivo é oferecer mais autonomia aos municípios e também cobrar maior responsabilidade dos gestores.
“É uma verdadeira mudança na Federação brasileira”, destacou, lembrando que, no histórico da República, essa é a primeira vez que a União se dispõe a transferir, voluntariamente, recursos próprios para estados e municípios. “Isso se dará em uma magnitude de dezenas de bilhões de reais, abrindo a possibilidade dos recursos chegarem na ponta, onde o cidadão possa sentir a presença do estado de maneira correta, com mais saúde, educação e segurança pública”.

Fortalecimento regional
O secretário ressaltou que essas transferências serão feitas com total controle das contas da União. Segundo ele, como a distribuição voluntária fortalecerá as finanças regionais, a União deixará de ser fiadora de estados e municípios, por exemplo, em garantias de operações de créditos, que, a partir de 2026, só contarão com garantia para créditos de organismos internacionais.
União deixará de ser fiadora em operações de crédito a partir de 2026
Waldery afirmou que quem faz a dívida deve arcar com ela. “É assim no orçamento familiar, no orçamento corporativo, e tem que ser assim também no orçamento público”. De acordo com o secretário, a PEC do Pacto Federativo caminha no sentido do liberalismo fraterno, direcionado pelo ministro Paulo Guedes. O objetivo é buscar corrigir as contas públicas da União sem esquecer que também é necessário colaborar com os estados e municípios. “A ideia é que a Federação como um todo seja fortalecida”, apontou.
Marco institucional da nova ordem fiscal
A PEC do Pacto traz também a uniformidade para interpretação de conceitos orçamentários-financeiros, evitando divergências entre tribunais de contas de estados e municípios, por meio de uma normatização proposta pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Estão sendo institucionalizados o comprometimento e a transparência, com a excelência do TCU sendo referenciada”, citou Waldery. A inciativa se dará no âmbito do Conselho Fiscal da República.
Benefícios tributários não poderão ultrapassar 2% do PIB
Outra novidade será o orçamento de longo prazo, em substituição ao Plano Plurianual (PPA). Com isso, programas e obras ganham previsibilidade no orçamento, para que os fluxos de recursos não sejam interrompidos.
Ainda dentro do Marco Institucional, a PEC traz um maior realismo orçamentário, ao prever que leis e decisões judiciais que criam despesas só tenham eficácia quando houver previsão orçamentária.
Além disso, os benefícios tributários, que hoje representam 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), não poderão ultrapassar 2% do PIB a partir de 2026. Enquanto estiver acima desse teto, não poderá haver concessão, ampliação ou renovação do benefício tributário. Waldery ressaltou que essa avaliação será feita com muito cuidado e reiterou que o governo federal não trabalha com aumento da carga tributária.
Caminho para crescimento sustentável
O secretário especial de Fazenda lembrou que, apesar de o país ter herdado forte desequilíbrio fiscal e atravessar o sexto ano seguido de déficit primário, a situação está sendo contornada. No acumulado dos últimos nove meses, o Brasil teve o melhor resultado primário desde 2015. “Não podemos olhar para frente sem esquecer o que herdamos. Estamos consertando a máquina”, observou.
Em situações de emergência fiscal, serão acionados “gatilhos” (mecanismos automáticos de ajuste)
Para voltar ao equilíbrio fiscal e impedir novas crises das contas públicas, a PEC do Pacto prevê que, em situações de forte fragilidade fiscal, os entes federativos entrem em estado de emergência, acionando mecanismos automáticos de ajuste. Para a União, a situação de emergência será caracterizada quando o Congresso autorizar o desenquadramento da Regra de Ouro. Já para os estados, a situação se dará quando a despesa corrente ultrapassar 95% da receita corrente.
Esteves Colnago, secretário especial adjunto de Fazenda, reforçou na coletiva que, ao estabelecer uma nova operação às regras fiscais, o objetivo é superar a crise e caminhar para uma situação de normalidade. “Estão sendo criadas condições para que o país vire essa página de crises ininterruptas”, salientou.
Com uma maior coordenação das atuais regras fiscais, a PEC prevê que a dívida do setor público passe a ser referência, ancorando o regramento e garantindo mais efetividade para administração das contas públicas.

Saúde e Educação
O secretário especial Waldery destacou, ainda, as medidas que serão tomadas para ‘desengesssar’ o orçamento, com desobrigações, desindexações e desvinculações. Ele esclareceu que a PEC do Pacto Federativo não prevê alterações nos percentuais mínimos estabelecidos para saúde e educação. O que está sendo alterada é a possibilidade de compensação de uma área para a outra, com a soma dos respectivos percentuais tanto no âmbito da União, como em estados e municípios.
“Está sendo preservada a prioridade dessas duas áreas e trazidos ganhos de liberdade para o gestor. Essa flexibilidade é boa”, afirmou, explicando que o gestor poderá olhar para as duas áreas e ver qual é a prioridade na sua localidade para receber mais recursos naquele determinado momento.
Segurança jurídica

A PEC traz, ainda, duas grandes contribuições para segurança jurídica do país. A primeira determina o fim do impasse em relação a disputa da Lei Kandir. Hoje, todo ano a União discute com estados possíveis compensações pela desoneração de exportação, num processo desgastante.
O impasse está no fato de que a União não reconhece mais tal direito, diferentemente dos estados. Com o repasse dos recursos dos royalties e participação especial do petróleo, União e estados poderão esquecer o passado e encerrar essa disputa judicial.
O segundo ponto abordado é a proibição do uso de depósitos judiciais privados e fundos de pensão para pagamento de despesas do ente federativo. Essa prática vem se tornando comum no país e traz insegurança para a sociedade.
Fonte: Ministério da Economia
Contabilidade4 dias agoe-BEF: Regras e obrigatoriedade da nova obrigação acessória
Contabilidade2 dias agoReceita reduz pela metade prazo para empresas confirmarem notas fiscais
Contabilidade4 dias agoContador para abrir CNPJ é necessário?
Imposto de Renda4 dias agoReceita faz pente-fino e cobra R$ 238 milhões de devedores do Imposto de Renda
INSS4 dias agoINSS inicia pagamentos da 2ª parcela do 13º para aposentados e pensionistas
Imposto de Renda3 dias agoReceita notifica quase 1 milhão de contribuintes por dívidas no IR
Contabilidade4 dias agoComissão da Câmara aprova fim do “cálculo por dentro” em tributos
Contabilidade4 dias agoSPED passa por transição de sistema nesta sexta (29) e altera navegação




























Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.