Em uma operação conjunta denominada Tríplice Autonomia, a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (18) uma investigação que aponta para um esquema milionário de fraude em licitações durante a pandemia de COVID-19. O alvo principal são contratos firmados pelo Ministério da Saúde (MS) para a prestação de serviços de atendimento telefônico automatizado pré-clínico, que totalizam cerca de R$ 190 milhões.
As investigações preliminares indicam que os valores dos contratos podem ter sido superfaturados em até R$ 80 milhões, configurando um desvio de recursos públicos de proporções alarmantes. O modus operandi do esquema envolvia a dispensa de licitação, favorecendo empresas previamente selecionadas, algumas delas com supostas ligações a políticos.
A operação, que teve início em fevereiro deste ano, se concentrou em três estados: Amazonas, Bahia e Maranhão. Até o momento, a PF não divulgou os nomes das empresas envolvidas, mas os indícios sugerem a existência de uma rede complexa de favorecimento e corrupção.
De acordo com os investigadores, os serviços de atendimento telefônico automatizado pré-clínico eram, em sua maioria, ineficazes e de baixa qualidade, não atendendo às necessidades da população durante a crise sanitária. A priorização de empresas sem licitação e a superfaturação dos contratos demonstram um flagrante descaso com os recursos públicos e com a saúde da população, especialmente em um momento tão delicado como o da pandemia.
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