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Economia

Prazo para tarifaço dos EUA contra o Brasil expira hoje sem sinais de acordo

Resistência do Brasil em alterar regras do Pix e oposição à abertura para o etanol americano travam conversas finais

Autor: Ana Luzia Rodrigues

Publicado em

Simples Nacional prorrogação de prazos às empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

Chega ao fim nesta quarta-feira, dia 15, o prazo para que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) decida sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a importação de uma série de produtos brasileiros. 

Até o momento, as negociações entre Brasília e Washington continuam travadas, sem qualquer previsão de acordo para evitar a sobretaxa que pode encarecer as exportações do país.

O impasse comercial reflete a dificuldade de conciliação entre as agendas econômicas das duas maiores potências do continente americano, que agora correm contra o relógio.

O que trava o acordo bilateral

Vários fatores impedem o avanço das conversas. De um lado, o governo brasileiro se recusa terminantemente a alterar as regras de funcionamento do Pix — uma exigência que vinha sendo ventilada pelo lado americano. Do outro, a Casa Branca resiste em reduzir a pesada sobretaxa que impõe ao açúcar brasileiro.

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Para complicar ainda mais o cenário, os Estados Unidos cobram do Brasil a eliminação total das tarifas de importação sobre o etanol americano. A medida é vista com extrema preocupação pelo setor sucroenergético nacional, pois poderia inundar o mercado brasileiro e prejudicar gravemente os produtores locais.

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Pressão política 

Especialistas apontam que a ofensiva tarifária de Washington tem forte teor geopolítico, ultrapassando os limites da disputa comercial. Para Paulo Borba Casella, professor de direito internacional da USP, a postura americana reflete uma tentativa clara de interferência na política interna brasileira. Ele pondera que qualquer saída diplomática exigirá boa vontade de ambas as partes, algo que parece escasso no momento.

Já Alexandre Pires, professor de relações internacionais do Ibmec-SP, avalia que a Casa Branca tenta conter o avanço da influência econômica e tecnológica da China na América Latina. Diante do fechamento de mercados tradicionais no Ocidente, o Brasil acabou estreitando ainda mais os laços comerciais com os parceiros asiáticos, o que incomoda o governo americano.

Itamaraty reage e propõe barganha

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou duramente a ameaça de sobretaxa, afirmando que a medida pune uma relação comercial histórica e estrangula os canais de diálogo.

Como estratégia de defesa, a diplomacia brasileira tenta blindar o etanol nacional. A proposta de Brasília é deixar o combustível fora da mesa de negociações e, em contrapartida, exigir que os EUA retirem as tarifas sobre o açúcar brasileiro, que atualmente chegam a quase 100%.

Exportadores devem buscar orientação

Diante da iminência do tarifaço, o clima é de cautela no setor produtivo. Empresas e consumidores devem monitorar de perto os próximos passos do governo federal, que estuda possíveis medidas de retaliação comercial caso os EUA confirmem a barreira alfandegária.

A recomendação oficial para os exportadores afetados é buscar orientação imediata junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O público geral pode acompanhar as atualizações do caso pelos canais oficiais do Ministério das Relações Exteriores.

Com informações da Agência Brasil

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