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Qual é o principal fator de sucesso de uma startup?

Quando temos uma ideia ou nos juntamos a amigos ou outros empreendedores para iniciar uma startup, começa um potencial incrível de possibilidades e oportunidades. Pelo menos é isso que uma startup se propõe a fazer. Criar algo inovador, melhorar algum processo, impactar milhares de pessoas e por aí vai.
Mas, afinal, por que muitas startups falham nessa missão? E por que algumas têm sucesso? Quais seriam os fatores decisivos para o sucesso ou o fracasso?
Pensei, estudei, pesquisei, vi uma série de depoimentos de donos de startups bem-sucedidas e também de muitas que falharam, e observei atentamente todos os elementos mencionados. A partir daí, surgiu uma lista de fatores importantes para o sucesso ou o fracasso de uma startup.
Quer saber quais são esses fatores? Então veja o que, na prática, determina o sucesso de uma startup!
A “ideia” do negócio (o marco zero)
Geralmente, toda startup surge a partir de uma ideia iluminada. Tudo sempre nasce da percepção do empreendedor que tem:
- Um “estalo” (insight);
- Um grande questionamento sobre algum serviço no qual ele foi mal atendido;
- A percepção da ausência de um determinado serviço ou produto no mercado;
- Enfim, quanto maior e mais inovadora for a ideia, mais garantia de sucesso ela tem, certo? Negativo.
Equipe capacitada e sócios experientes
E se acrescentássemos a uma grande ideia uma ótima equipe, com alta capacidade de execução, conhecimentos completares e poder de adaptação frente ao mercado?
Agora que eu tenho ideia + time, vou ter sucesso, O.K? Ainda não. Mas e se o meu sócio é o melhor vendedor que eu conheço? Ele tem experiência de vários anos nessa área e batia meta todo mês na antiga empresa onde trabalhava. Inclusive, ele até já ganhou vários prêmios. Então não falta mais nada, não é?
Bom, ter uma ótima equipe comercial é fundamental e basicamente responsável pela existência de uma empresa. Sem vendas, não há negócio que pare de pé, certo? Mas ainda vamos analisar outros fatores. Digamos que a equipe comercial também faz parte do fator time. Então vamos acrescentar o modelo de negócios.
Modelo de negócios e investimento
Modelo de negócios: como vou ganhar dinheiro com essa startup? Já está tudo planejado. Sei exatamente coisas como:
- O formato a ser utilizado;
- Para quem (como e por quanto) vou vender;
- O formato de entrega;
- Margens.
Passei um bom tempo fazendo a lição de casa. O meu modelo de negócios foi analisado por vários especialistas e não tem como dar errado (escuto muito isso). Poxa, agora vai: grande ideia + ótimo time + modelo de negócios infalível. Não, isso ainda não é o suficiente.
Ah, estava faltando algo muito importante: investimento, dinheiro, cash, grana, funding, gasolina. Qualquer um desses nomes será entendido por quem é empreendedor. Com dinheiro tudo dá certo. Agora sim a fórmula se completou: ideia + ótima equipe + modelo de negócios power + muito dinheiro = sucesso. Ainda vou ter que discordar. Está faltando um importante elemento nessa equação: timing do negócio.
O “timing do negócio” talvez seja o fator decisivo para o sucesso
Lancei muito cedo e não tinha cliente (ou tive que gastar um tempão educando o mercado, explicando para que servia o meu produto/serviço).
Cheguei atrasado… Perdi o timing do negócio. Já havia grandes concorrentes instalados e consolidados. Então ficou complicado conquistar meu espaço ali. Ou, entrei no momento exato. Nem tão cedo, nem tão tarde.Obviamente, todos os outros elementos são importantes. Todavia, acredito que o timing correto corresponde a 50% de chance da sua startup ter sucesso.
Um exemplo próprio de timing errado
Em 2000, eu lancei o primeiro portal B2B do Agronegócio, chamava-se i4sugar.
A ideia era criar um B2B de fornecedores e compradores. Principalmente para o setor sucroalcooleiro, na parte de usinas, que comprava muita coisa, desde parafusos até foguetes. Desenvolvemos toda a tecnologia, tínhamos dinheiro, uma boa equipe, fizemos marketing, divulgação, enfim, o projeto tinha tudo para dar certo. Inclusive, fizemos o lançamento em uma grande feira no interior de São Paulo. Porém, quando chegamos aos nossos possíveis clientes, a maioria deles sequer tinha computador. E os que tinham, utilizavam internet via modem. Ou seja, a conexão era péssima.
Eu tinha vindo para o Brasil com uma mentalidade mais ampla, já que havia morado nos EUA até 1999. Lá, a banda larga já funcionava bem. Mas, no Brasil, o modem discado era o que existia de mais acessível. Mesmo assim, devido ao entusiasmo e pelo fato de ter sócios que conheciam bem o setor, achei que a ideia daria certo. Fato é que, na verdade, cheguei com a ideia muito cedo, no timing do negócio errado. Com isso, o projeto se tornou inviável e desistimos dele cerca de 6 meses depois.
Naquele mesmo ano, tive que me segurar para não cair no mesmo erro: lançar uma plataforma de ensino à distância. Contudo, nem todos os setores enfrentavam problemas. Por isso, tive que focar primeiro em qual mercado estava com melhores condições de infraestrutura. Então, encontrei a indústria farmacêutica como porta de entrada. Depois, aí sim, lançamos uma das primeiras plataformas de ensino à distância do Brasil e tivemos muito sucesso. Era tudo uma questão de timing exato.
Casos de grande sucesso graças ao timing certo
A expansão da banda larga foi o fator determinante para o sucesso de inúmeros novos negócios. O YouTube foi um deles.
AirBnB e Uber surgiram em um momento perfeito dos EUA: a chegada da recessão. As pessoas buscavam renda extra, alugando parte do seu imóvel ou dirigindo seu próprio carro. Repito, todos os fatores mencionados são importantes – cada um pode ter um grau maior o menor, dependendo do negócio. Porém, ressalto novamente a importância do timing. E chego até a dizer que, para o sucesso de uma startup, o que é menos importante é o funding/dinheiro.
É óbvio que, em algum momento, toda empresa precisa de investimento. Mas, no início, para atingir um grau de sucesso suficiente, nem sempre esse será o fator fundamental. Portanto, se você está pretendendo iniciar uma startup ou já lançou e está tendo dificuldades, analise se todos os fatores estão sendo cobertos de forma correta, tendo cada um o seu critério.
Conclusão
Muitas empresas com uma ideia, digamos, boa (e não incrível), tiveram sucesso graças ao fato de estarem no timing correto. Com o tempo, foram ganhando mais dinheiro e aperfeiçoando o seu produto ou serviço. Desse modo, mais importante do que ter uma ideia genial é fazer uma opção menos grandiosa, mas com o timing perfeito e que ainda não tenha concorrentes (cuidado para não lançar muito cedo).
O importante é se assegurar de que existe uma demanda reprimida. A partir daí, cabe a você dar o peso ideal para a sua ideia, equipe, modelo de negócios, recursos financeiros e timing.
Sobre o autor
Fernando Godoy – Empresário atuando há mais de 20 anos no setor de tecnologia sendo quatro anos nos EUA em agências digitais de Los Angeles. É fundador da Gaia Hyper Group, composta em sua maioria por empresas focadas em inovação e tecnologia. É cofundador da Cervejaria Leuven, mentor de várias startups e palestrante abordando os temas “Experiência Digitais através da X-Reality” e “Inovação e Liderança Disruptiva”. É diretor da associação inglesa Spirit of Football no Brasil. Já realizou mais de 50 apresentações internacionais em países como EUA, Espanha, Itália, Alemanha, Portugal e Inglaterra.
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