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Qual foi o crescimento do comércio eletrônico na última década

Pode não soar como novidade, mas as vendas de produtos (máquinas, equipamentos, dispositivos) de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) via comércio eletrônico cresceram mais de 6 vezes na última década mesmo antes da pandemia de Covid-19, segundo informa o novo relatório da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Paraná (Assespro-PR).
Com o objetivo de avaliar os rumos de produtos TIC e poder fornecer dados estratégicos às empresas, a Assespro-PR tomou como base o relatório da Pesquisa Anual do Comércio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contabiliza dados coletados entre 2008 e 2019.
O levantamento foca especialmente em dois indicadores: ramos de atuação, se no varejo ou atacado, e tamanho das empresas, se com mais de 20 pessoas ocupadas, classificadas como médias ou grandes, ou se com menos de 20 pessoas ocupadas, classificadas como pequenas.
Em 2019, eram cerca de 2,9 mil empresas no atacado, totalizando 36,6 mil empregados, e uma receita bruta da ordem de R$ 118 bilhões. Já no varejo, contabilizou-se 35 mil empresas, 137 mil colaboradores e uma receita de R$ 37,7 bilhões. Chama a atenção o fato de que as empresas no varejo foram 12 vezes superiores às das empresas do atacado, enquanto a receita bruta gerada pelas empresas do atacado foi três vezes superior à gerada pelo varejo.
Uma explicação reside no fato de que, no atacado, a quantidade e o preço dos produtos são muito maiores que no varejo, que acaba diluindo as vendas em produtos mais nichados e específicos e em quantidade menor. Várias empresas de varejo muitas vezes compram da mesma empresa do atacado.

Em relação ao “tamanho” das empresas, aquelas com 20 ou mais pessoas ocupadas (com cargos ativos), consideradas médias ou grandes, corresponderam a apenas 11% do total de empresas do atacado, mas foram responsáveis por 92% da receita bruta, enquanto, no varejo, 3% das empresas eram médias ou grandes e participaram com 52% da receita bruta.
Entre os anos de 2018 e 2019, houve uma redução no número de empresas com menos de 20 funcionários: -11% no atacado, e -16% no varejo, fato que pode ser atrelado às mudanças na forma de negócios, pois muitos comerciantes migraram para o chamado “dropshipping”, em que o negócio de produtos é feito entre a empresa fornecedora, que normalmente é uma grande empresa, e o cliente, sendo o comerciante apenas um intermediário.
São Paulo concentrou 53% da receita bruta de revenda de produtos de TIC, em 2019. O Paraná posicionou-se em segundo lugar com um valor de R$ 6,8 bilhões ou 5% do total nacional, superando o Rio de Janeiro que, em 2018, ocupava a segunda posição entre as Unidades da Federação (UFs). O Paraná apresentou o maior crescimento, dentre as UFs, na receita bruta de revenda no atacado (48%) e no varejo (20%), no período 2018-19.

Por coincidência, os dados cobrem exatamente o momento pré-pandemia e, certamente nas próximas análises, o impacto da Covid-19 nas relações de comércio apresentarão o quanto a internet e o comércio eletrônico foram fundamentais na sobrevivência de muitas empresas.
As vendas pela internet têm revelado uma evolução significativa, no período 2008-19, com uma taxa de crescimento da ordem de seis vezes na receita bruta de revenda. O comércio eletrônico (via internet) apresenta-se como uma modalidade promissora de negócio para o Ramo de Serviços em Tecnologia da Informação (TI) e certamente a pandemia teve um impacto gigantesco nos números de vendas pela internet, seja no atacado ou no varejo.
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