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Reforma da Previdência provoca mulheres a buscar a própria aposentadoria, saiba mais

Bons efeitos da reforma da Previdência

Enfim, o Brasil deu passo esperado há mais de duas décadas e aprovou uma reforma da Previdência ampla, embora ainda aquém do necessário. O ponto final no projeto foi colocado pelo Senado quarta-feira. Agora, o parlamento espera o retorno do presidente Jair Bolsonaro para promulgar a nova lei, que entra em vigor logo após esse ato, portanto no mês que vem.

É claro que, pelo perfil do ajuste – o ponto alto foi a definição de idade mínima para aposentadoria – muitos trabalhadores podem pensar que perderam vantagens. Mas, na verdade, todos ganham porque sem uma reforma profunda, os riscos de a economia não crescer, de o país entrar em nova recessão porque a dívida pública perderia o controle, seriam quase inevitáveis. Não adianta ter direitos se não há economia forte e arrecadação de impostos para pagar. E como as pessoas estão mais longevas, é necessário adaptar os sistemas de aposentadoria.

O setor produtivo e o mercado financeiro ficaram animados com a reforma. Era a medida esperada para os investidores acreditarem que a economia do país não vai quebrar e entrará num ciclo mais estável. A expectativa é de que pelo uma pequena parte do capital global venha para o Brasil.

O vice-presidente executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Glauco José Côrte, avalia que o setor está mais motivado a retomar investimentos após a aprovação da reforma da Previdência. Esse cenário mais otimista deve acelerar também pelo menos parte de projetos de investimentos que estão sendo prospectados pela Investe SC. Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Lucas Esmeraldino, há 120 projetos sendo analisados para instalação em Santa Catarina. A torcida é grande por uma expansão maior da economia.

Alerta para mulheres

Uma das mudanças mais relevantes do novo sistema de Previdência do Brasil é a redução da pensão por morte de 100% para 60% do valor da aposentadoria do titular. Essa alteração deixa o Brasil mais parecido com os países desenvolvidos, onde cada pessoa tem seu plano de aposentadoria e não há pagamento de pensão.

Essa nova realidade afeta mais mulheres no Brasil porque muitas optaram por ser donas de casa e não contribuíram para ter a própria aposentadoria. A planejadora financeira Annalisa Dall Zotto, sócia da Par Mais, diz que a reforma provoca as mulheres a também buscar sua aposentadoria.

– Mesmo a dona de casa ou trabalhadora rural pode pagar o INSS como contribuinte individual facultativa. Paga 20% do valor que pretende receber ao aposentar, com um mínimo de 15 anos – aconselha Annalisa.

Liberdade a elas

É importante a mulher contribuir para ter a própria aposentadoria porque, com renda própria, tem mais liberdade. Annalisa Dall Zotto explica que, ao recolher para o INSS no limite do teto (R$ 5.839,45) além da aposentadoria, a mulher conta com um seguro invalidez, auxílio doença e auxílio maternidade. E também ninguém está livre de uma separação.

– Depender só da renda do marido é muito perigoso hoje em dia. Então, essa mudança da lei para pensão provoca um despertar da necessidade da mulher fazer sua contribuição individual – alerta a especialista em finanças.

Teoria do amor

Um dos países mais igualitários do mundo, a Suécia se orgulha da independência financeira individual dos seus cidadãos. Dois historiadores locais chamam de Teoria Sueca do Amor. Dizem que os relacionamentos verdadeiros de amor e amizade na Suécia são apenas possíveis entre indivíduos que não dependam uns dos outros. Essa informação está no livro Um país sem excelências e mordomias, da jornalista brasileira Claudia Wallin, que reside por lá. É inspirador.

Primeiro o INSS

Para todas as pessoas, a primeira orientação financeira é contribuir para o INSS, afirma Annalisa Dall Zotto. Depois, deve-se pensar em previdência complementar. Nesse caso, servidores públicos e trabalhadores de grandes empresas privadas quase sempre têm fundo fechado de previdência complementar, quando o patrão contribui com uma parcela também. O trabalhador poupa R$ 100, por exemplo, e a empresa deposita mais R$ 100. Nesses casos, vale muito a pena participar.

Fundos abertos

Se o empregador não oferece fundo empresarial, é possível o trabalhador investir em fundo aberto de bancos. Existem os PGBL e VGBL. Annalisa Dall Zotto diz que PGBL é só para quem ganha mais de R$ 100 mil ao ano, aí há vantagem no Imposto de Renda. No VGBL o IR incide sobre os rendimentos, mas é preciso cautela porque as taxas de administração e carregamento podem ser muito altas. Aí, é melhor investir em fundos independentes.

Ações e imóveis

Outras opções de investimentos futuros são os títulos públicos de longo vencimento, ações, fundos de ações e fundos multimercado. Segundo Annalisa Dall Zotto, se a pessoa não tem planejador financeiro ao lado, pode investir num fundo multimercado que não erra. A opção de investir em imóveis exige cuidado, diz ela. É melhor imóvel comercial, mais perto do período que precisa usufruir da renda, aconselha.

Nova Previdência

O analista de investimentos Filipe Teixeira, sócio da Wisir Research, afirma que a Nova Previdência mudou a forma de pensar esse setor no Brasil porque o sistema estava muito defasado.

– O brasileiro estava acostumado a um modelo muito assistencialista. O Brasil já gasta 10,5% do PIB com aposentadoria. Esse gasto é o mesmo de Alemanha e Japão que são países desenvolvidos e têm três vezes mais idosos do que nós – alerta ele. Por isso, para Teixeira, é importante que o Brasileiro tenha a Previdência pública, mas invista numa previdência privada como complemento de renda.

Se pagar primeiro

A nova realidade da Previdência brasileira requer que as pessoas planejem mais seu futuro e façam um fundo de previdência privada. A melhor opção é fora dos grandes bancos. Há seguradoras que oferecem alternativas com menores custos, que resultam em maior renda no futuro, aconselha ele.

– O primeiro passo é desenvolver o hábito de se pagar primeiro. A sua tranquilidade futura é pegar 10% da sua renda, 5%, investir e pensar que, lá na frente, será uma complementação de renda para uma aposentadoria tranquila – diz Filipe Teixeira.

Segundo ele, há diversas alternativas de poupar para o futuro, mas a Previdência privada permite débito em conta, o que facilita muito.

Fonte:

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

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