Saiba como evitar processos trabalhistas em épocas de crise

Especialista em direito trabalhista ajuda a reduzir o passivo trabalhista que se torna entrave em meio à crise

Contabilidade Prática para Universitários

Por causa da crise econômica vivida pelo Brasil, cresce o desemprego e, consequentemente, a quantidade de ações trabalhistas. Só em 2015 foram cerca de 3 milhões. Muitas dessas ações decorrem de erros cometidos pelas empresas por desconhecimento da legislação. A advogada Beatriz Dainese esclarece dúvidas sobre o assunto.

Pergunta – Por que o número de ações trabalhistas não para de crescer?
Resposta – Muitas empresas, por conta da crise, tiveram a necessidade de reduzir os seus custos para conseguirem manter ativas as suas atividades. Dentre um dos cortes de custos, está a mão de obra e, em muitos casos, as empresas não conseguem honrar com a totalidade do pagamento de todas as verbas rescisórias.

Pergunta – Porque o Brasil é o campeão mundial de processos?
Resposta – A legislação trabalhista no Brasil é bastante complexa e ainda bastante protecionista em favor dos funcionários. Não raras as vezes, as empresas não conseguem pagar todos os valores que estão previstos na legislação ou na Convenção Coletiva de Trabalho, e quando ocorre uma demissão, o problema se torna ainda maior por conta dos valores das verbas rescisórias que devem ser pagas ao funcionário desligado.

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

Devem ser quitadas as férias em aberto, 13º salário proporcional, aviso prévio e multa de 40% do FGTS. Todos esses valores se tornam, muitas vezes, onerosos para os empregadores e, em alguns casos, acabam não sendo pagos de forma correta. Vale ressaltar que o Poder Judiciário Trabalhista é de fácil acesso e não exige o pagamento de custas judiciais.

Pergunta – Quais os principais erros cometidos pelas empresas?
Resposta – Os principais erros cometidos pelas empresas, por desconhecimento da legislação trabalhista, estão na ausência de pagamento de horas extras com acréscimo legal respectivo, adicionais (noturno, insalubridade, periculosidade), quando cabíveis à atividade desenvolvida, e pagamento de valores sem constar nos holerites.

Pergunta – Quais as ações trabalhistas mais comuns?
Resposta –
1) Recebimento de verbas rescisórias cumuladas com pedido de liberação de FGTS e seguro desemprego.
2) Reconhecimento de doença profissional cumulada com pedido de indenização e pensão mensal vitalícia.
3) Reconhecimento de vínculo empregatício cumulado com pedido de pagamento de todas as verbas que não foram pagas durante a relação sem registro.
4) Reconhecimento de pagamento de adicionais e horas extras.

Pergunta – Por que bancos, varejo e telefonia lideram em número de processos trabalhistas?
Resposta – Em regra essas empresas possuem um número de funcionários muito grande e embora a legislação aplicável a elas traga algumas peculiaridades, muitas vezes não são verificadas e aplicadas aos funcionários, o que culmina em inúmeros processos trabalhistas quando há o desligamento desses funcionários.

Pergunta – Prestadores terceirizados também podem representar risco de processo trabalhista para uma empresa?
Resposta – Depende da situação de cada tipo de serviço terceirizado. A legislação trabalhista determina que as empresas não podem contratar de forma terceirizada pessoas que vão exercer a sua atividade, sob pena de sofrerem um processo trabalhista em que pode haver o reconhecimento de vínculo empregatício e, desta forma, a sua condenação no pagamento de todas as verbas que não foram pagas ao “prestador de serviços”, tais como férias, décimo terceiro salário, FGTS, horas extras e seus reflexos. Por outro lado, caso a empresa tenha um serviço terceirizado para qualquer outra atividade, não estará assumindo nenhum risco.

Pergunta – Como as empresas podem acautelar-se quanto a todo tipo de processo trabalhista?
Resposta – As empresas precisam ter ciência e se atualizar sobre as legislações, convenções coletivas de trabalho que são atualizadas anualmente, e normas regulamentadores aplicáveis à sua atividade econômica.

Pergunta – Por que as autoridades, na maioria das vezes, consideram que o empregado sempre está sendo lesado?
Resposta – A criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) teve por principal objetivo a proteção aos direitos do trabalhador, criando inúmeras normas jurídicas, buscando equacionar a relação entre o capital e o trabalho que, à época, se apresentava com a prevalência aos interesses do empregador, em detrimento dos direitos básicos dos empregados. O cultivo da premissa de que a Justiça do Trabalho é norteada pelo protecionismo excessivo e do paternalismo, traz a sensação de que a Justiça do Trabalho sempre reconhecerá que o empregado está sendo lesado.

Pergunta – Em caso de ações para a defesa, a empresa precisa munir-se de quais ferramentas?
Resposta – Todas as empresas devem manter em seus arquivos todos os documentos referentes a cada um dos funcionários. Desde a ficha de registro do empregado, cartões de ponto, laudos de PPRA e PCMSO, holerites, recibos, até a cópia de todos os atestados médicos entregues ao longo do tempo devem estar arquivados de forma organizada. A prova documental é de suma importância e trará segurança ao empresário de que tudo foi corretamente aplicado e pago ao empregado.

Matéria: Tribuna do Ceará

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

Postagens recentes

NT 2026.002: O que muda no CT-e e como se preparar

Como a nova padronização de campos exige uma ponte rápida entre escritórios contábeis, transportadoras e…

56 minutos atrás

INSS atualiza regras de comprovação para conceder salário-maternidade

Resolução do Conselho de Recursos da Previdência Social detalha exigências específicas para cada categoria de…

2 horas atrás

PGFN: MEIs têm até setembro para renegociar dívidas com desconto de até 70%

Prazo de adesão ao programa da PGFN vai até 30/09. Contudo é preciso cautela com…

3 horas atrás

Senado adia votação do Estatuto do Aprendiz após pedido de vista na CAS

Proposta que unifica regras trabalhistas para jovens e pessoas com deficiência deve retornar à pauta…

4 horas atrás

Receita publica editais com novos prazos para negociação de dívidas tributárias

Editais oferecem descontos e parcelamentos para débitos em contencioso administrativo. As adesões vão até 30…

7 horas atrás

Publicada a versão 6.1.0 do programa EFD ICMS IPI

Essa obrigação acessória busca promover a integração dos fiscos federal, estaduais e do Distrito Federal

7 horas atrás