Segundo Banco Central inadimplência fecha com taxa de 3,1% em setembro

Em setembro de 2020, a taxa de inadimplência avaliada pelo Banco Central fechou em 3,1%, o menor nível do índice iniciado em 2011.

Contudo, os dados também podem enganar.

Afinal, levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que dois terços das famílias brasileiras (66,5%) estão com alguma dívida em outubro de 2020.

Por que isso ocorre? Os benefícios emergenciais durante a pandemia de covid-19, como a prorrogação de dívidas pelos bancos e o auxílio emergencial do governo, atenuaram a falta de renda, mas não resolveram.

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Tanto credores quanto devedores devem se preparar para evitar que daqui a alguns meses a bolha da inadimplência estoure de vez.

Tradicionalmente, a população brasileira tem dificuldade de lidar com o dinheiro e seus compromissos financeiros.

Em parte por razão histórica: a desigualdade no país é muito grande.

Cerca de 2,7% das famílias concentram 20% da renda nacional, enquanto 60% dos trabalhadores com carteira assinada ou na informalidade ganham cerca de R$ 1.000 por mês.

Mas também há um fator cultural: somos extremamente consumistas.

As pessoas adoram fazer compras e ter bens.

Logo, quando há pouca renda, há única forma de conquistar isso é partindo para o financiamento.

Em suma: não fomos educados financeiramente na escola e dentro de casa para aprender a consumir, poupar, criar patrimônio e honrar compromissos assumidos.

Dessa forma, boa parte das dívidas já são contraídas sabendo que não serão pagas em dia – e muitas delas jamais serão quitadas.

Uma pessoa com salário médio de R$ 2.000 entende que pode comprometer sua renda com financiamentos que somam até R$ 1.000 mensais, mas esquece que precisa pagar por moradia, transporte, alimentação, saúde, educação, vestuário, entre tantas coisas.

É nesse momento que ela se vê endividada e não consegue quitar tudo no prazo estabelecido.

Assim, quando aparece uma situação de redução de renda e desemprego, como estamos presenciando atualmente com a covid-19, as famílias que acumulam dívidas passam a escolher de que forma a renda deve ser usada – e quais contas serão pagas ou não.

Nesse sentido, há certas coisas de que não se pode abrir mão, por exemplo, alimentação e contas básicas como água e luz.

As demais são postergadas e, infelizmente, algumas são as que têm maior juros embutidos – entre elas, cartão de crédito, boletos de financiamento de imóveis e veículos e o crédito pessoal.

Medidas adotadas pelas instituições financeiras e o governo federal controlaram a taxa de inadimplência durante a pandemia, mas estimativas mostram que estamos numa bolha prestes a estourar – e com consequências gravíssimas.

Portanto, é preciso adotar medidas agora para evitar este cenário catastrófico.

Famílias com dívidas devem fazer um planejamento mensal, calculando todas as contas e descobrindo se a renda vai cobrir os custos.

Caso não seja suficiente, busque renegociar com o credor e evite o cheque especial, que sempre praticou juros abusivos.

Além disso, existem outras dicas úteis, como pagar as dívidas de maiores juros, por exemplo, de cartões de créditos, definir cortes de gastos no orçamento, principalmente os supérfluos e evitar compras por impulso (por meio de pesquisa, é possível encontrar preços mais vantajosos e até obter um tempo a mais para pensar se tal produto é realmente necessário).

Já os credores podem utilizar tecnologias e soluções de análise de dados e speech analytics para descobrir o momento que seu cliente está passando e, assim, buscar alternativas que estimulam o pagamento em um período difícil para todos.

Não é fácil, mas é possível reverter o cenário de inadimplência e impedir que a bolha estoure de vez.

O principal sinal de melhora dependerá da recuperação econômica nos meses seguintes.

É missão do poder público e das empresas encontrar alternativas que possibilitem a criação de empregos e, assim, retomem a renda da população brasileira.

A perspectiva para 2021 é que a inadimplência chegue a 4,7% no indicador do Banco Central.

Muito elevada se comparada com a atual, sem dúvida, mas pode ser corrigida se todos (população, empresas e governo) fizerem suas partes agora.

Por Gabriel Camargo, CEO da Deep Center, empresa especializada em gestão da informação para contact centers, SAC e cobrança.

Wesley Carrijo

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