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Socorro, minha empresa me obriga a cometer crimes, mas eu preciso do trabalho. O que eu faço?

Passei 10 (desesperadores) meses desempregada e em agosto consegui um emprego na área de RH. Não é o trabalho dos meus sonhos, mas paga as contas. Na primeira semana já fui chamada de “burra”, “profissional de merda” e “incompetente”. Mas, como tenho filho para criar e contas para pagar, baixei a cabeça e continuei. Mas o que me agride mesmo é que a empresa criou uma legislação trabalhista própria, e faz parte das minhas funções calcular errado o pagamento dos funcionário! Já me mandaram convencer uma funcionária que voltou da licença maternidade que ela não tem direito a licença amamentação (ela tem, sim!).

Hoje, por exemplo, me mandaram falsificar um contrato de trabalho para incluir no plano de saúde empresarial uma pessoa que não trabalha na empresa! Alertei a contabilidade que isso é crime e mesmo assim mandaram eu fazer. A minha aflição é que eu odeio essa empresa, e ME ODEIO por ter que fazer isso. Isso me agride fisicamente a ponto de eu vomitar antes de vir trabalhar. Minha dúvida é: o que eu faço? Se eu sair fico sem dinheiro e se eu ficar fico com nojo de mim.
– Entre a cruz e a espada

Resposta: Karin Hueck

Cara cruz, você está em uma das situações mais delicadas que alguém pode se meter. Em condições normais, eu diria que a prioridade é pagar as suas contas, mas acho que você não está em condições normais – você está correndo risco, inclusive. Saia assim que possível do seu emprego. E, antes de sair, guarde provas de que as irregularidades foram pedidos da empresa e são práticas comuns por lá. Vale e-mail, conversa de chat ou foto de documento. Tente sair amigavelmente do trabalho: diga que você achou outra coisa ou que quer ficar perto do seu filho – lembre-se que eles podem tentar te culpar pelos crimes (não sou especialista jurídica, mas talvez você até já tenha se comprometido).

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Vai ser ruim ficar sem emprego, mas vai ser muito pior se você acabar pagando pelos crimes deles. Pode ter certeza que uma empresa que trata assim os funcionários e a lei não hesitaria em fazer o mesmo com você. Não pense no seu atual emprego como um trabalho estável que paga as suas contas, pense nele como um problema do qual você precisa se livrar – porque é isso mesmo que ele é: uma encrenca horrível.

Ricardo de Freitas

Ricardo de Freitas não é apenas o CEO e Jornalista do Portal Jornal Contábil, mas também possui uma sólida trajetória como principal executivo e consultor de grandes empresas de software no Brasil. Sua experiência no setor de tecnologia, adquirida até 2013, o proporcionou uma visão estratégica sobre as necessidades e desafios das empresas. Ainda em 2010, demonstrou sua expertise em comunicação e negócios ao lançar com sucesso o livro "A Revolução de Marketing para Empresas de Contabilidade", uma obra que se tornou referência para o setor contábil em busca de novas abordagens de marketing e relacionamento com clientes. Sua liderança no Jornal Contábil, portanto, é enriquecida por uma compreensão multifacetada do mundo empresarial, unindo tecnologia, gestão e comunicação estratégica. Além disso é CEO da FiscalTalks Inteligência Artificial, onde desenvolve vários projetos de IA para diversas areas.

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