Trabalhadores em festa, mas apenas os que ganham até R$ 5 mil?

Reforma do Imposto de Renda à vista! Mas calma, antes de soltar fogos e comemorar o alívio no bolso, é bom entender os detalhes. O governo federal anunciou que pretende enviar ao Congresso, ainda em 2025, um projeto para aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Parece uma ótima notícia, mas será que todo mundo sai ganhando nessa história?

Imposto de Renda: o que muda e para quem?

Atualmente, quem ganha até R$ 2.259,20 está isento do IR, enquanto os demais trabalhadores pagam alíquotas que variam de 7,5% a 27,5%. A proposta do governo é aumentar essa isenção para R$ 5 mil mensais, o que beneficiaria milhões de brasileiros. Mas ainda há um longo caminho até que essa ideia vire realidade.

O Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que a proposta não tem data exata para ser enviada ao Congresso, mas que essa é uma das prioridades da equipe econômica de Fernando Haddad. O plano é que, se tudo der certo, a nova tabela passe a valer em 2026. Mas o Congresso precisa aprovar a medida antes, e, como sabemos, isso pode ser um processo demorado e cheio de negociações.

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E o impacto nas contas públicas?

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Parece um sonho para quem está na faixa de isenção, mas a conta precisa fechar. Especialistas estimam que a perda de arrecadação com essa mudança poderia ficar entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões por ano, o que equivale a 0,3% a 0,6% do PIB brasileiro. Em um país que já tem desafios fiscais gigantescos, esse rombo precisa ser coberto de alguma forma.

Ou seja, alguém vai pagar essa conta. Mas quem?

A equipe econômica ainda não detalhou como pretende compensar essa perda de arrecadação. Mas algumas alternativas já circulam nos bastidores, como a tributação sobre grandes fortunas, a redução de benefícios fiscais para empresas e até mesmo um aumento na taxação de dividendos. Mas nenhuma dessas soluções está fechada, e o debate promete ser longo.

Quem realmente vai comemorar?

Se a nova faixa de isenção for aprovada, os maiores beneficiados serão os trabalhadores de classe média e média-baixa, que atualmente pagam alíquotas entre 7,5% e 15%. Para quem já está na faixa mais alta de tributação, de 27,5%, o impacto será menor, já que apenas uma parte do salário será beneficiada pela isenção.

Mas tem um detalhe importante: essa reforma não reduz impostos para quem ganha acima de R$ 5 mil. Se você já está na alíquota máxima, continuará pagando a mesma taxa sobre a parcela do salário que ultrapassar a nova faixa de isenção. Ou seja, pode ser um alívio para muitos, mas não para todos.

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A promessa de campanha que (talvez) saia do papel

A ideia de aumentar a isenção do Imposto de Renda não é nova. Essa promessa já apareceu em diversas campanhas presidenciais, mas sempre esbarrava na mesma questão: como compensar a perda de arrecadação?

Agora, com o governo pressionado a cumprir essa meta, a discussão finalmente entrou na pauta. Mas, como qualquer mudança tributária, o projeto enfrentará resistência, especialmente de setores que podem ser mais taxados para equilibrar as contas.

E o orçamento de 2025?

Além da reforma do IR, o governo também está lidando com a aprovação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2025. A votação foi adiada, mas o relator do orçamento no Congresso, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), já indicou que a previsão é que o texto seja votado até 10 de março.

Ou seja, muita coisa pode acontecer antes da reforma do IR sair do papel. Mas, por enquanto, os trabalhadores que ganham até R$ 5 mil podem começar a cruzar os dedos e torcer para que a promessa se concretize.

Alívio para alguns, mas dúvidas para muitos

A possível isenção do IR para rendas de até R$ 5 mil é uma excelente notícia para milhões de brasileiros. Mas, como toda mudança tributária, ela traz desafios. A perda bilionária na arrecadação pode obrigar o governo a buscar novas fontes de receita – e nem todos os contribuintes vão gostar disso.

Portanto, sim, tem motivo para comemoração. Mas, como sempre no Brasil, tudo depende das negociações políticas e econômicas que ainda estão por vir. Será que dessa vez a reforma do IR sai do papel? Ou vai ficar só na promessa, como tantas outras?

O tempo dirá. Mas até lá, é bom acompanhar de perto e, claro, torcer para que essa festa não tenha uma conta salgada no final.

Rodrigo Campos

Jornalista, especializado em Semiótica, há mais de 12 anos. Atuou como repórter e editor em diversos veículos de comunicação de grande nome no interior de SP e na internet.

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