Economia

A Corrida do Ouro Biológica: Ozempic e Mounjaro Superam Expectativas e já tem Receita Maior que as Gigantes de IA

Enquanto o mundo corporativo e os entusiastas de tecnologia voltam seus olhos para o Vale do Silício, uma revolução silenciosa (e extremamente lucrativa) ocorre nos laboratórios da Dinamarca e dos E.U.A . Em 2025 e neste início de 2026, o fenômeno dos medicamentos GLP-1 — liderados pelo Ozempic (Novo Nordisk) e Mounjaro (Eli Lilly) — consolidou-se como uma força econômica que, em termos de crescimento de receita direta e valor de mercado, está batendo de frente com as gigantes da Inteligência Artificial (IA). 

O “Efeito GLP-1” nos Números

A Eli Lilly encerrou o ano fiscal de 2025 com uma receita impressionante de US$ 65,2 bilhões, um salto de quase 45% em relação ao ano anterior. O motor dessa explosão? O Mounjaro e seu “irmão” focado em obesidade, o Zepbound, que juntos geraram US$ 36,5 bilhões. Para efeito de comparação, essa cifra supera o faturamento anual total de empresas farmacêuticas tradicionais como a Sanofi. 

Do outro lado, a Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, reportou receitas combinadas de US$ 31 bilhões apenas para esses dois produtos em 2025. 

IA vs. Saúde: Onde está o lucro real?

Embora empresas como Nvidia tenham visto valorizações astronômicas devido à demanda por chips de IA, analistas apontam uma diferença fundamental: a recorrência e a escala do consumo. 

  • Infraestrutura vs. Uso Contínuo: Enquanto a IA exige investimentos pesados em infraestrutura (CAPEX) que podem levar anos para se converterem em lucro líquido para o usuário final, os medicamentos para perda de peso são de uso contínuo e possuem uma base de consumidores que cresce exponencialmente.
  • A “Nvidia da Biotecnologia”: A Eli Lilly tornou-se a primeira empresa farmacêutica a chegar perto do valor de mercado de US$ 1 trilhão, uma marca antes reservada exclusivamente às “Big Techs” como Apple, Microsoft e Google.

O Mercado de “Trilhões”

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Estimativas do Morgan Stanley indicam que o mercado global de tratamentos para obesidade e diabetes tipo 2 pode atingir US$ 190 bilhões até 2035. O entusiasmo é tamanho que a Eli Lilly já projeta receitas entre US$ 80 bilhões e US$ 83 bilhões para 2026, impulsionada pela iminente aprovação de versões orais (pílulas) desses medicamentos, o que deve democratizar ainda mais o acesso e reduzir custos logísticos. 

O Impacto na Economia Global 

 Diferente da IA, que promete aumentar a produtividade no escritório, o Ozempic e o Mounjaro estão alterando o comportamento de consumo:    

  1. Varejo e Alimentos: Redução no consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas calóricas.
  1. Seguros de Saúde: Um debate crescente sobre a cobertura desses fármacos, que podem reduzir custos a longo prazo com doenças crônicas.
  1. Tecnologia: Ironicamente, as farmacêuticas estão usando a própria IA para acelerar a descoberta de novas moléculas GLP-1, criando uma simbiose entre os dois setores mais quentes da década.

Enquanto os modelos de linguagem tentam aprender a pensar como humanos, as “canetas emagrecedoras” estão mudando como a humanidade consome e vive — e os investidores já decidiram qual dessas revoluções entrega dividendos mais rápidos. 

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Por Lucas de Sá Pereira, contador https://contadorlucaspereira.shop/, e colunista do Jornal Contábil e criador do instagram @contadorlucaspereira

Lucas Pereira

Com mais de uma década de vivência no mundo contábil, sou Lucas Pereira, formado pela Universidade Braz Cubas em ciências contábeis e com registro no CRC. Minha jornada me levou a aprimorar meus conhecimentos em renomadas instituições internacionais como King's College London e SOAS University of London. Acredito que a contabilidade e as finanças não precisam ser complexas. Aqui, no Jornal Contábil, meu objetivo é desmistificar esses temas e compartilhar insights práticos para que você tome decisões mais assertivas para o seu negócio.

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