Economia

Câmara aprova projeto que limita aumentos do IOF e fixa novos tetos

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados deu parecer favorável ao Projeto de Lei 3371/25, que promete alterar significativamente a forma como o governo federal gerencia o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). 

De autoria do deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) e de outros parlamentares, a proposta atualiza a legislação vigente desde 1994 e impõe limites mais rígidos tanto para os tetos das alíquotas quanto para os reajustes anuais feitos pelo Poder Executivo.

Alíquotas do IOF

Atualmente, o governo tem o poder de alterar as alíquotas do IOF por meio de decreto, com aplicação imediata e sem a necessidade de aval do Congresso Nacional. A única trava existente hoje são os tetos históricos da Lei 8.894/94, que permitem cobranças de até 25% para operações de câmbio e de até 1,5% ao dia para o crédito.

O novo texto, no entanto, reestrutura esses limites máximos de forma detalhada por modalidade. Para o crédito, a alíquota diária máxima passa a ser de 0,0041%, que pode ser somada a um adicional fixo de até 0,38% sobre o valor total da operação. 

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

No câmbio, o teto geral é fixado em 0,38%, prevendo exceções de até 6% para liquidações de empréstimos externos com prazo médio de até 180 dias, e de até 1,10% para a compra de moeda estrangeira em espécie ou transferências internacionais.

A proposta também estabelece tetos para o setor de seguros, limitando a alíquota a 7,38% sobre o valor do prêmio ou dos aportes. Já o mercado de títulos e valores mobiliários passa a ter um teto de 1% ao dia, com regras específicas para investidores estrangeiros em Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), cujo limite máximo será de 10%. 

Para o ouro ativo financeiro e contratos derivativos, as alíquotas máximas serão de 1% sobre o preço de aquisição e de 10% sobre o valor da operação, respectivamente.

O relator da matéria, deputado Mauricio Marcon (PL-RS), defendeu a aprovação destacando o impacto positivo na economia brasileira. Segundo o parlamentar, a previsibilidade tributária e a estabilidade regulatória são fatores centrais para melhorar o ambiente de negócios e atrair novos investimentos para o país.

Trava para reajustes anuais e regra do “zero”

Além de fixar novos tetos, o projeto de lei introduz limites anuais para os aumentos promovidos pelo Executivo. Embora o governo continue com a prerrogativa de modificar as alíquotas por decreto para ajustar as políticas monetária e cambial, o somatório das elevações dentro de um mesmo ano não poderá estourar percentuais específicos, calculados sempre com base na alíquota vigente no dia 1º de janeiro. Esses reajustes anuais acumulados ficam limitados a 10% para o câmbio, 7% para o crédito e 2,5% para operações de seguros, títulos mobiliários e ouro.

O texto traz ainda uma solução para os casos em que a alíquota de determinada modalidade comece o ano zerada. Nessas situações, o primeiro aumento do ano não poderá ultrapassar 50% da maior alíquota que esteve em vigor para aquela mesma operação (ou categoria semelhante) nos últimos cinco anos.

Tramitação

O projeto de lei tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode seguir diretamente para o Senado sem passar pelo Plenário da Câmara, caso seja aprovado nas comissões temáticas. 

Agora, a matéria segue para avaliação das comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Para que as novas regras entrem em vigor, a proposta precisa ser aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado Federal.

Carlos Eduardo

Faz parte da equipe de redação e publisher do Jornal Contábil, ajudando na produção e publicação de matérias e notícias para manter os leitores bem informados sobre concursos, legislação e temas do dia a dia.

Postagens recentes

PIS/Pasep: novo lote do abono salarial será liberado no dia 15

Valor máximo chega a R$ 1.621 para quem trabalhou os 12 meses do ano-base.

2 horas atrás

Sem impostos federais: proposta dá isenção de 3 anos para jovens empreendedores

Entenda as regras do projeto que zera tributos como IRPJ, CSLL, PIS e Cofins para…

3 horas atrás

MEIs que perderam prazo da declaração anual já podem se regularizar

Inadimplência gera multa de R$ 50 e impede emissão de notas fiscais

4 horas atrás

INSS define novo lote de pagamentos. Saiba quem vai receber primeiro

Calendário oficial de junho começa na última semana do mês. Confira as regras e as…

5 horas atrás

Multas e bitributação: Quanto custa ignorar os novos códigos fiscais em 2026?

Erros na classificação de NCM e NBS drenam o caixa das empresas sem que os…

6 horas atrás

ECD 2026: prazo até dia 30 e o que é preciso saber para evitar erros

A ECD 2026 está com seu prazo chegando na reta final. Tire suas dúvidas aqui

7 horas atrás