Economia
Câmara aprova uso de dinheiro esquecido do BC para estender desoneração da folha

A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta quinta-feira, dia 12, o projeto de lei que trata da desoneração da folha de pagamento de empresas pertencentes aos 17 setores que mais empregam no país e de prefeituras de cidades de até 156 mil habitantes.
A proposta mantém a desoneração em 2024 e prevê uma reoneração gradual a partir de 2025. O texto aprovado é resultado de um acordo construído entre o governo federal e o Congresso Nacional. A proposta define também medidas de compensação fiscal.
A proposta não foi bem vista pelo Banco Central (BC) que alegou em nota que a incorporação do dinheiro nas contas do governo seria uma transferência do setor privado para o setor público sem uma transação padrão entre os dois setores.
Como foi a aprovação
O projeto foi aprovado por 253 votos a favor, 67 contra e quatro abstenções. A sessão começou à noite e foi encerrada por volta das 2h20, sem a conclusão da votação. Restou ainda a votação da redação final do texto, que entrou pela madrugada por conta da obstrução da oposição. Uma nova sessão foi convocada para esta quinta-feira (dia 12).
A desoneração da folha das empresas substitui a contribuição previdenciária patronal de 20% de setores que são grandes empregadores por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. Essa troca diminui custos com contratações para 17 setores, como têxtil, calçados, construção civil, call center, comunicação, fabricação de veículos, tecnologia e transportes.
Leia também: Entenda proposta aprovada sobre reoneração da folha de pagamento
Reoneração gradual em 2025
O projeto aprovado prevê uma reoneração gradual das empresas. Em 2024 a desoneração se mantém da forma como é feita hoje. Mas a contribuição sobre a folha de pagamento passará a crescer a partir do ano que vem: será de 5% em 2025, de 10% em 2026, de 15% em 2025 e chegará a 20% em 2028.
O autor do projeto é o senador Efraim Filho (União-PB), que assumiu a tarefa após o governo desistir de acabar com a desoneração por meio de uma medida provisória (MP).
Banco Central se posiciona contra
O projeto permite ao governo recolher R$ 8,5 bilhões em “valores esquecidos” no sistema bancário. O Banco Central (BC) distribuiu uma nota técnica a deputados sugerindo alterações nesse ponto.
Na nota técnica, a autoridade monetária defende que o recolhimento dos saldos “esquecidos” em bancos e de depósitos judiciais em processos encerrados não sejam considerados receitas do governo, como prevê o projeto.
O BC é responsável por apurar o cumprimento da meta fiscal e usa uma metodologia diferente do Tesouro Nacional.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, discutiu esse ponto com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Segundo o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE), eles chegaram a um acordo que atende ao BC.
O ajuste feito mantém o uso das contas esquecidas e os depósitos judiciais como parte da compensação. O texto afirma que eles serão apropriados pelo Tesouro Nacional como receita orçamentária e considerados para fins de verificação do cumprimento da meta de resultado das contas públicas.
Antes, dizia que esse recurso seria usado “para todos os fins das estatísticas fiscais”, o que incomodou o BC.
Leia também: Fazenda reduz para R$ 18 bi impacto da desoneração da folha em 2024
Compensações
Na lista de compensações, está a repatriação de recursos depositados no exterior por brasileiros, mediante pagamento de Imposto de Renda. Nesse caso, não seria necessário trazer recursos para o Brasil, mas apenas regularizá-los.
Também permite a atualização do valor de bens, especialmente de imóveis, e cobrar um Imposto de Renda reduzido sobre o ganho de capital. Hoje, o IR sobre ganho de capital sobre imóveis é cobrado na venda. A ideia é permitir antecipar a atualização de capital com uma alíquota reduzida ao se pagar IR.
Outra saída é criar uma espécie de Refis apenas sobre multas aplicadas por agências reguladoras e que ainda não entraram na Dívida Ativa. Também faz parte do projeto usar recursos depositados em contas judiciais e que os detentores desse direito não sacaram o dinheiro.
A lista inclui ainda a economia prevista com cortes de despesas de benefício pagos de forma irregular ou alvo de fraudes. E a taxação de compras abaixo de U$ 50, esta última já sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Fique Sabendo5 dias agoProjeto dobra pena para motoristas condenados por morte no trânsito
Simples Nacional4 dias agoReforma Tributária cria novo desafio para empresas do Simples Nacional
Contabilidade3 dias agoe-BEF: Regras e obrigatoriedade da nova obrigação acessória
Imposto de Renda3 dias agoReceita faz pente-fino e cobra R$ 238 milhões de devedores do Imposto de Renda
Contabilidade3 dias agoContador para abrir CNPJ é necessário?
CLT4 dias agoA partir de terça, trabalhador pode usar o FGTS para quitar dívida no Desenrola 2.0
INSS3 dias agoINSS inicia pagamentos da 2ª parcela do 13º para aposentados e pensionistas
Imposto de Renda3 dias agoFim da Dirf e transição para o eSocial geram falhas no Imposto de Renda

































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.