Reforma Tributária

Como a Reforma Tributária Vai Afetar Seu Bolso?

A Reforma Tributária, aprovada pelo Congresso Nacional, é a maior mudança no sistema de impostos do Brasil em décadas. Mas, na prática, o que ela significa para o bolso de cada brasileiro? A resposta não é simples, pois o impacto dependerá do seu perfil de consumo.

O Fim da “Cascata de Impostos”

A principal alteração é a unificação de cinco impostos em um só. PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS serão substituídos pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Esse novo imposto será dividido em dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de responsabilidade federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de responsabilidade de estados e municípios.

Com essa mudança, a chamada “tributação em cascata”, onde os impostos são cobrados em cada etapa da cadeia produtiva, deixa de existir. A nova lógica é que o imposto será cobrado apenas uma vez, no consumo final. Para o consumidor, isso pode significar uma redução nos preços de alguns produtos, especialmente os industrializados, já que a carga tributária deixa de ser acumulada ao longo da produção.

Onde os preços vão cair?

A Reforma Tributária busca tornar o sistema mais justo ao reduzir impostos sobre produtos e serviços essenciais. A Cesta Básica Nacional terá isenção total de impostos, o que significa que alimentos como arroz, feijão, leite, pão francês e frutas podem ficar mais baratos para o consumidor final. A lista de alimentos que serão isentos ainda será definida por uma lei complementar, mas a promessa é de um alívio considerável para o orçamento familiar.

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Além disso, uma série de produtos e serviços terá uma redução de 60% na alíquota do novo IVA. Entre eles estão:

  • Serviços de Saúde: Consultas médicas, exames, internações e procedimentos de saúde.
  • Medicamentos e Dispositivos Médicos: Remédios, óculos, próteses e outros itens essenciais para a saúde.
  • Serviços de Educação: Mensalidades de escolas, faculdades, cursos técnicos e preparatórios.
  • Transporte Coletivo: Passagens de ônibus, metrô e trens.

Para quem utiliza muito esses serviços, a economia pode ser significativa no longo prazo.

O “Imposto do Pecado”: Onde os preços vão subir?

Em contrapartida, a reforma cria o Imposto Seletivo (IS), apelidado de “imposto do pecado”. O objetivo é desincentivar o consumo de bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. O IS será aplicado de forma adicional, o que significa que a carga tributária sobre esses produtos será maior do que a de outros itens.

A lista de produtos que serão mais taxados inclui:

  • Bebidas Alcoólicas e Açucaradas: Refrigerantes, sucos com alto teor de açúcar, cervejas, vinhos e destilados terão uma carga tributária mais alta.
  • Produtos de Tabaco: Cigarros e outros produtos fumígenos serão mais caros para desestimular o tabagismo.
  • Veículos Poluentes: Carros e motos movidos a combustão, especialmente os mais potentes, podem ter um aumento no preço, incentivando a busca por alternativas mais sustentáveis, como veículos elétricos.
  • Bens Minerais: Produtos como carvão, petróleo e gás natural terão uma alíquota adicional para compensar os impactos ambientais de sua extração e uso.

Além disso, alguns serviços que atualmente pagam menos impostos, como os de streaming e de telecomunicações, podem ter um aumento na carga tributária.

Conclusão: a reforma é boa ou ruim para o seu bolso?

A Reforma Tributária não terá um impacto uniforme na vida dos brasileiros. Para a maioria das famílias, a tendência é que ela seja benéfica, simplificando o sistema e reduzindo os preços de itens essenciais. Por outro lado, quem consome muitos produtos do “imposto do pecado” sentirá o aumento nos preços. A reforma é um passo para tornar o sistema tributário brasileiro mais justo e eficiente, mas os resultados só serão sentidos de forma plena a partir de 2029, quando a transição estiver completa.

Sua empresa está preparada para a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária vai simplificar o sistema e reduzir a carga de impostos em diversos setores, mas a mudança pode ser complexa. Para garantir que sua empresa aproveite todas as oportunidades e benefícios fiscais, é crucial se planejar com antecedência.

Adeque sua empresa à nova realidade tributária e garanta que você está pagando o mínimo de imposto possível.

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Por Lucas de Sá Pereira, contador , e colunista do Jornal Contábil e criador do instagram @contadorlucaspereira

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Lucas Pereira

Com mais de uma década de vivência no mundo contábil, sou Lucas Pereira, formado pela Universidade Braz Cubas em ciências contábeis e com registro no CRC. Minha jornada me levou a aprimorar meus conhecimentos em renomadas instituições internacionais como King's College London e SOAS University of London. Acredito que a contabilidade e as finanças não precisam ser complexas. Aqui, no Jornal Contábil, meu objetivo é desmistificar esses temas e compartilhar insights práticos para que você tome decisões mais assertivas para o seu negócio.

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