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Como incentivar a cultura ESG em todos os níveis da empresa?

Muito se fala da importância de as empresas priorizarem os quesitos ESG em suas decisões. Isso porque o tema tem tomado importância a cada ano e influencia, inclusive, os valores em bolsa de cotas empresariais. Para se ter uma ideia, o Índice de Sustentabilidade Empresarial, que lista empresas de capital aberto de acordo com boas práticas corporativas, subiu 296% desde sua criação em 2005, contra 223% do Ibovespa como um todo.
Mas como explicar e engajar os colaboradores de uma corporação, tarefa que não é simples e exige longos períodos de adequação? A adesão a boas práticas junto ao meio ambiente, ao entorno social e do próprio trabalhador, e ainda a adoção de uma governança atenta às atualizações jurídicas (Environmental, Social, Governance) significam um alinhamento completo de todos os níveis da organização, que devem estar focados no alcance das mesmas metas.
Dentro do escopo ambiental estão desafios como a gestão de resíduos e da biodiversidade presentes nas unidades fabris; a análise de emissões de gases e a adequação à sustentabilidade dos próprios produtos fabricados, além do olhar atento para os desafios futuros que teremos, como é o caso da crise hídrica. Para dar conta de tal complexidade, um bom início é consolidar o que já se fez ao longo do tempo, e o melhor é optar por um diagnóstico completo, seguindo os moldes do relatório sustentável de acordo com o GRI (Global Reporting Initiative).
É nesse documento que estão registrados os impactos da empresa nos quesitos socioambientais, econômicos e de governança, capazes de direcionar as metas e oportunidades. Para isso, são necessários dados de todas as áreas da corporação, o que exige uma força-tarefa coletiva. Cada profissional recebe uma fatia da responsabilidade e se compromete em atingir os seus objetivos pré-definidos.
O aspecto social envolve tanto as relações internas, nos quesitos legais e de clima organizacional, quanto com a comunidade do entorno, fornecedores e mesmo a proteção de dados e privacidade desses stakeholders. É necessário um cuidado amplo e estruturado juntos às comunidades de maior proximidade e impacto das companhias, observando as fragilidades e desenvolvendo ações para fomentar o desenvolvimento. É desejado que a atuação com um olhar para a equidade de oportunidades seja incorporada à cultura das empresas.
Por fim, faz parte da governança a administração ética do negócio, prestações de contas transparentes para a sociedade e o real combate à corrupção na totalidade dos processos. Mas de nada adianta mirar os benefícios que a adequação ESG trará para a marca se o público interno não entender do que se trata – e não assumir sua parte no trabalho.
O orgulho do pertencimento será natural quando a companhia tiver e comunicar com transparência os seus indicadores, tanto para os seus trabalhadores quanto para a comunidade. Por isso digo que é preciso comprometer-se com o ESG não apenas no âmbito de sua atuação, mas também além de seus portões. Sugiro criar comitês dos quais façam parte diretores e lideranças de diversas áreas, de forma a garantir o engajamento. Dessa forma, o alinhamento sobre questões estratégicas acontecerá de forma consistente e aderente, com porta-vozes e disseminadores da cultura ESG em todos os microambientes corporativos.
Por Débora Botini é gerente financeira e de Governança da Ibema e integra o comitê ESG da empresa.
Sobre a Ibema: Gerar valor de maneira sustentável por meio da fabricação e distribuição de produtos que conquistem a preferência dos clientes, contribuindo com iniciativas que favoreçam toda a cadeia, com a dedicação e preocupação de garantir o melhor resultado para a empresa e seus clientes.
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