O setor varejista, um dos maiores empregadores do país, encontra-se no centro de uma das discussões trabalhistas mais profundas das últimas décadas: o fim da jornada 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso).
Enquanto o empresariado calcula os impactos logísticos, a pressão social pelo fim do modelo ganha contornos estatísticos expressivos.
Dados de mercado revelam que o anseio pela mudança está consolidado na base da pirâmide produtiva. Um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva, em conjunto com a QuestionPro, aponta que 57% da população brasileira apoia a extinção do regime 6×1.
Esse movimento é reforçado por um estudo da Nexus Pesquisa, que mostra um apoio ainda maior — de 65% — quando o tema é centralizado na redução da jornada de trabalho.
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Diferente de setores administrativos, o varejo depende da presença física e da continuidade do atendimento. Para a contabilidade trabalhista, a transição para modelos como a jornada 4×3 ou 5×2 impõe um dilema: como manter as portas abertas sem repassar o aumento do custo fixo ao consumidor final?
A substituição da escala 6×1 gera um “vazio” na cobertura dos postos de trabalho. “O impacto não é apenas no salário nominal, mas em toda a cadeia de encargos e treinamentos”, explicam os analistas. Estima-se que, para manter os atuais horários de funcionamento, grandes redes precisem ampliar o quadro de funcionários entre 15% e 20%.
Como contrapartida ao aumento de custos, o varejo acelera investimentos em tecnologia para compensar a redução da jornada humana com eficiência digital:
Se para as grandes redes a escala é um desafio logístico, para o pequeno lojista de bairro o impacto pode ser existencial.
Com margens apertadas e menor fôlego para investir em automação, o pequeno comércio pode ser forçado a reduzir o horário de atendimento ao público, alterando hábitos de consumo e a arrecadação local.
A discussão caminha junto com a reforma tributária e a desoneração da folha. Para a contabilidade estratégica, o momento é de realizar simulações de cenários.
Empresas que se anteciparem na revisão de processos estarão melhor posicionadas para absorver a nova realidade sem perder competitividade.
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