Precificar para fazer a Declaração do Imposto de Renda dos clientes é uma tarefa árdua, por vezes mais difícil do que a própria execução do serviço. E não pela demora no cálculo, mas pela dificuldade. Isso é um problema para você?
Precificar, ou seja, o ato de atribuir preço a um serviço ou produto deve ser considerado um momento glorioso, de responsabilidade, de inteligência e do reconhecimento de valor.Aplicar o preço nunca deveria ser uma atividade estressante, mas apenas a sequência do planejamento, das diretrizes daquilo que foi traçado para o negócio.
Tomemos como exemplo um restaurante de frente para o mar, móveis finos, ambiente espaçoso e climatizado e garçons bem treinados. Quanto você imagina ser o preço de uma refeição? Observe que nem foi dito qual é o prato. O cliente irá almoçar, ou seja, “matar a fome”. Será este o único objetivo? O preço deve estar alinhado com o planejamento e arcar com o custo dos serviços ofertados para resultar em lucro justo. Sim, justo! O lucro justo não será avaliado apenas em consideração à refeição, mas pelo conjunto.
Quando uma pessoa física procura o contador para lhe auxiliar no atendimento da exigência fiscal, será que o profissional deve fazer apenas a Declaração do Imposto de Renda, por exemplo?
Por que não experimentar oferecer mais do que simplesmente o prato de comida? Outros serviços que contribuem para a precificação com maior lucratividade são: sala climatizada, móveis adequados, limpos e confortáveis, atendimento personalizado, cafezinho, bala ou chocolate, check list para que nada fique esquecido etc. Estas e tantas outras coisas fazem com que o cliente perceba mais valor no serviço.
Normalmente os clientes perguntam: “quanto você cobra para fazer a minha declaração?”Muitos respondem prontamente o preço, provavelmente em função de não conseguir informar VALORES além do preço.
A palavra VALOR pode ser substituída por DIFERENCIAIS. Quais são os diferenciais dos seus serviços que faz, algumas vezes, o cliente avaliá-lo simplesmente pela qualidade do prato de comida?
Será possível aplicar todas estas experiências para o serviço da Declaração do Imposto de Renda PF? Certamente é necessário calcular para saber se o que se pretende oferecer irá gerar lucratividade. Então é preciso também fazer contas.
Para definir o preço de declarações do Imposto de Renda PF, e esta mesma regra serve para qualquer outro serviço, deve-se levar em conta: custo da hora trabalhada, outros custos e materiais necessários, tempo que será exigido para fazer o trabalho, se o cliente é eventual, complexidade do serviço, montante do patrimônio e imposto envolvido e antecedência (ou não) da solicitação.
Proponho um passo a passo para definir o preço para fazer a Declaração do Imposto de Renda PF:
1º) Apure o custo da hora trabalhada e forme o preço de venda com o lucro que você considera justo. A sugestão énunca ser inferior a 20%;
2º) Nunca forneça preço por telefone;
3º) Siga um checklist para identificar os serviços necessários além da simples Declaração, caso do ganho de capital, Atividade Rural e o controle das parcelas do imposto a pagar, entre tantas outras peculiaridades;
4º) Com base no checklist apure a necessária quantidade de horas para prestar o serviço completo. Lembre-se que você manterá a cópia de segurança da Declaração. Talvez os documentos impressos fiquem em seu arquivo e o cliente poderá fazer contatos durante o ano para sanar dúvidas, saber sobre a restituição do imposto, solicitar cópias ou necessitar de auxílio porque caiu na “malha fina”. Nesta última situação você irá cobrar acessoriamente ou já ficará incluso no processo de fazer a Declaração?
5º) Calcule o preço sugerido com base nos custos, ou seja, multiplique o número das horas necessárias para fazer a Declaração (item 4º) pelo preço de venda calculado no item 1º. Lembre-se de adicionar os custos com terceiros ou outros materiais necessários. Este deve ser o preço mínimo a ser aplicado, com ele será possível obter lucro;
6º) Para definir o preço final do serviço considere aspectos como: se o cliente é eventual, a complexidade da Declaração, o montante do patrimônio e do imposto envolvido e a antecedência (ou não) da solicitação do serviço. Quanto maior o preço, mas desde que o cliente perceba valor, melhor, pois o lucro também será maior.
O contador preocupa-se muito com o processo de prestar bons serviços e isto é importante, mas nem sempre dá a devida atenção para precificar adequadamente.
Lembre-se que este é um serviço sazonal, motivo pelo qual é mais difícil manter profissionais treinados para executá-lo. Muitas vezes são pagas horas extras para colaboradores e este custo, bem como o tempo do treinamento,deve ser computado para identificar o real lucro líquido deste serviço esporádico. Outro fator importante a ser ponderado é que você será cobrado pelo cliente por, ao menos, cinco anos, prazo do próprio Fisco.
Atenção: defina e informe o preço antes de iniciar o trabalho, mesmo que o cliente não solicite. Sempre que possível registre o serviço e o preço combinado e peça ao cliente para assinar a via do pedido ou contrato.
Gilmar Duarte – www.gilmarduarte.com.br
Esta obrigação acessória tem seu prazo de envio até o dia 31 de julho
Como a nova padronização de campos exige uma ponte rápida entre escritórios contábeis, transportadoras e…
Resolução do Conselho de Recursos da Previdência Social detalha exigências específicas para cada categoria de…
Prazo de adesão ao programa da PGFN vai até 30/09. Contudo é preciso cautela com…
Proposta que unifica regras trabalhistas para jovens e pessoas com deficiência deve retornar à pauta…
Editais oferecem descontos e parcelamentos para débitos em contencioso administrativo. As adesões vão até 30…