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Declaração do IR pode representar captação de clientes

Pouco mais de um mês antes do início do prazo para a entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (Dirpf), que se inicia em março, os contribuintes já podem começar a organizar documentos e a se preparar para o momento de acertar as contas com o Leão. O período, normalmente marcado por um grande volume de trabalho extra para as empresas contábeis, também representa a oportunidade de entrar em contato com potenciais clientes, e pode trazer ganhos substanciais, quando bem-aproveitado. “Para se ter uma ideia do quanto esse documento pode ser relevante quando bem-explorado, atualmente, 50% dos nossos clientes mensais são oriundos do trabalho de Imposto de Renda Pessoa Física”, declara o empresário contábil Célio Levandovski.
Para fidelizar o cliente, é preciso treinar o olhar para conseguir identificar aquelas demandas que, muitas vezes, nem mesmo o próprio contribuinte sabe que existem. “Se o cliente paga muito aluguel, daqui a pouco é mais vantajoso ter uma empresa para tributar esses aluguéis à parte. Outras vezes, a pessoa tem um volume de receitas com o qual já vale a pena constituir sociedade e emitir notas fiscais ou, ainda, é importante começar a pensar em fazer planejamento sucessório para evitar a incidência de altos impostos”, exemplifica Levandovski.
O que irá fazer a diferença, defende o contador e diretor da Dondoni Contabilidade Flávio Dondoni, é o empresário começar a fazer da elaboração do documento e do contato com os clientes pessoas físicas um negócio. “É uma obrigação que muitas vezes as pessoas fazem sozinhas. Mas é possível agregar valor ao serviço prestado, melhorar a qualidade das informações prestadas e quantificar melhor os honorários para realmente fidelizar os clientes”, ressalta Dondoni.
A maior parte dos empresários segue com a visão equivocada de que a Dirpf não traz retorno substancial à empresa. Porém, conforme Levandovski, essa é uma cultura que está mudando no País, principalmente devido ao maior cruzamento de informações pelo Fisco e investimento em tecnologia. “Nos Estados Unidos, como a fiscalização é rigorosa há muitos anos, as pessoas dedicam tempo a isso e procuram um contador. No Brasil, as pessoas estão ficando mais cuidadosas, porque a Receita tem trabalhado fortemente na otimização da sua base de dados”, ressalta o empresário.
Autor: Roberta Mello
Fonte: Jornal do Comércio
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