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Metade dos negócios liderados por empreendedoras brasileiras já sofreram impactos da pandemia

O estudo “As empreendedoras e o Coronavírus – os negócios femininos no Brasil em meio à pandemia”, realizado pela Rede Mulher Empreendedora em parceria com o Instituto Locomotiva, expõe algumas das ações que donas de negócios tem tomado para mitigar os efeitos da crise.
Os dados apontam que as empreendedoras estão muito preocupadas com seus negócios: em uma escala de 0 a 10, a média foi 9 para a afirmação “estou preocupada com o futuro do meu negócio”; como consequência, também estão preocupadas com sua renda pessoal (média 9) e com a renda de suas famílias (8,8).
Para 84% das respondentes, a tentativa de redução nos gastos da empresa foi a medida mais aplicada. 66% está na tentativa de trabalhar com divulgação online, 53% já conseguem vender por meio do virtual e 52% já começaram a negociar prazo com fornecedores.
No entanto, 53% afirmou que não possui nenhuma reserva financeira para seus negócios. Grande parte dos negócios possui obrigações financeiras para os próximos seis meses, que inclui dívidas, contratos com fornecedores, aluguel e salário de funcionários, mas metade das empreendedoras acredita que não terá condições de arcar com essas despesas.
Apesar da redução de jornada e salários, negociação de férias, adoção do home office e demissão de funcionários, a crise continua latente. 47% das entrevistadas disse que o negócio está funcionando, mas diminuiu o movimento e 39% disse que o negócio não está funcionando por causa do coronavírus. O impacto é ainda maior para as mulheres mais vulneráveis: 62% dos negócios liderados por mulheres das classes DE não estão funcionando, assim como 50% dos negócios no Nordeste.
Para 21% das entrevistadas, toda a renda familiar vêm do seu negócio e para 17%, mais da metade da renda familiar vêm do seu negócio. Com a crise, 33% acredita que seu negócio não gerará renda alguma, e 28% acredita que gerará até 1 salário mínimo: situação que na normalidade corresponde a apenas 20% dos negócios, passa a corresponder a 61% dos empreendimentos. Para 37% delas, a principal preocupação é a sobrevivência do que elas criaram, para 27% é a retomada das vendas e para 24% é a migração para o digital.
Além de todas as dificuldades apontadas, em casa, essas empresárias também enfrentam dificuldades. 51% afirma que ficou mais difícil dar conta das tarefas domésticas e 49% disse que ficou mais difícil conciliar o tempo entre trabalho e família. Com isso, 21% afirma que isso tem atrapalhado muito seu trabalho dentro de sua empresa.

Por fim, dentre as medidas que poderiam ajudá-las, 31% citou como principal medida “assessoria para digitalização, uso de internet e ferramentas online” e 30% citou “oferta de crédito com juros baixos e prazos de pagamento mais longos”.
Ana Fontes, fundadora da RME, afirma uma crise desta magnitude pegou todas de surpresa, mais do que tudo, apontou as fragilidades do que é ser mulher e empreendedora no Brasil. “As dificuldades do acesso à este tipo de informação, passando por falta de políticas públicas e dificuldades no acesso a crédito, resultam numa desigualdade cada vez maior. Pesquisas como esta, podem ajudar neste sentido, nesta conscientização de quem hoje toma as decisões. Essas mulheres empregam, investem em suas famílias e comunidades, por isso precisam de ações direcionadas para continuarem o trabalho”.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, observa que “sem reservas financeiras para tocarem seus negócios, a maioria das empreendedoras brasileiras já está conduzindo os negócios sozinha, e corre o risco, inclusive, em um curto espaço de tempo, de ter os negócios ainda mais impactados e até paralisados. É preciso que elas tenham incentivos, como acesso a linhas de crédito, por exemplo”.
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Primeira e maior rede de apoio a empreendedoras do Brasil, a RME existe desde 2010 e tem 750 mil pessoas conectadas em rede.
Fundado em 2016, o Instituto Locomotiva nasce para transformar dados em estratégias e ações para que empresas, instituições públicas e organizações do terceiro setor dialoguem com uma população cada vez mais informada e exigente.
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