Os benefícios da tecnologia para os desbancarizados no Brasil

A recente chegada do Pix e do Open Finance está revolucionando os meios de pagamento no Brasil, sobretudo para a grande parcela desbancarizada da população que, agora, consegue fazer pagamentos simplificados usando apenas um smartphone.

Mas a verdade é que essa transformação não aconteceu de um dia para o outro: a tecnologia das fintechs já vem há tempos abrindo possibilidades para quem não está incluso nas instituições financeiras tradicionais.

Antes da pandemia, segundo o Banco Central, havia cerca de 45 milhões de desbancarizados no país, movimentando mais de R$800 bilhões por fora dos bancos.

Com a Covid-19, existem indícios de que esses números tenham sofrido uma redução por conta do pagamento do auxílio emergencial do governo via aplicativo — no entanto, em muitos casos, isso foi feito de maneira superficial e limitada, com demanda da presença física para manejo dos recursos.

Além disso, ainda é grande a parcela da população no mercado informal, com nenhum ou pouco acesso a serviços bancários. 

“É neste ponto que entra a importância do crescimento e da popularização das fintechs nos últimos anos. As medidas de isolamento social aceleraram o uso dos novos meios de pagamento, estimularam o comércio eletrônico e praticamente obrigaram quem baseava suas operações no papel moeda a encontrar uma alternativa — seja pela questão sanitária ou adaptação para o consumo online. Mas muitas pessoas só conseguiram ser incluídas nesse movimento por conta das fintechs”, explica Piero Contezini, CEO do Asaas, que oferece uma plataforma de assistente digital focada em ajudar autônomos e micro e pequenos empreendedores a receber e enviar dinheiro, fazer gestão de cobranças e antecipar recebíveis.

Impulso para democratização do sistema financeiro

Em meio às mudanças sociais, empresas de tecnologia como o Asaas, que já focavam nessa parcela da população, viram uma grande oportunidade e buscaram novas  formas de alcançar taxas melhores e condições mais simples de acesso para clientes tradicionalmente excluídos do sistema financeiro.

De acordo com uma pesquisa do fundo de venture capital Atlantico, dois dos principais motivos para desbancarização na América Latina são o alto custo desses serviços e a ampla documentação necessária.

“As fintechs surgiram diretamente associadas à internet e à desburocratização das finanças, buscando revolucionar a relação das pessoas com o dinheiro. E, nesse momento, mais do que nunca, isso foi necessário para toda a população”, comenta Contezini.

Contas digitais simplificadas e carteiras eletrônicas permitiram que praticamente qualquer pessoa conseguisse fazer seus pagamentos e compras online.

A antecipação de recebíveis e até o próprio acesso a crédito já são disponibilizados em alguns serviços, cumprindo um papel importante na inserção dos desbancarizados no mercado e na economia do país.

Para complementar, as startups da área também investiram na confiança do consumidor que, acostumado com transações em dinheiro e pagamentos em agências bancárias, muitas vezes ainda possuíam certa resistência em acreditar na segurança das operações online. 

O resultado é que, hoje, mais de 64% dos brasileiros com celular usam algum tipo de conta digital, como aponta pesquisa da Idwall. 

“Esse foi um momento essencial para a inclusão da população que os bancos tradicionais não alcançam, sejam por razões geográficas, sociais ou comerciais”, diz o CEO do Asaas, que passou a atrair 2,5 vezes mais clientes mensalmente em 2020 do que no ano anterior.

“A certeza que fica é que a tecnologia está permitindo, cada vez mais, uma democratização do sistema financeiro nacional”, complementa.

A relevância dos grandes bancos já é menor e a competitividade do setor só cresce com os novos serviços bancários e de pagamentos integrados ao contexto da digitalização.

Não à toa, o Brasil foi apontado como o país mais inovador da América Latina na área de pagamentos por uma pesquisa recente da Americas Market Intelligence (AMI).

Até as grandes instituições tradicionais já veem a mudança e têm investido cada vez mais em fintechs para fazer parte do movimento de inovação, buscando relações com parcerias e aportes financeiros. 

Gabriel Dau

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