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Os principais fatores que dificultam a implantação do eSocial nas empresas

eSocial é um sistema do governo onde as obrigações referentes a área trabalhista das empresas deverão ser comunicadas através do programa online.  Também deverão ser informados todos os acontecimentos referentes à parte trabalhista das organizações, desde contratações e demissões, acidentes de trabalhos, chegando, enfim, às obrigações fiscais.

Alguns dos exemplos fiscais a serem notificados é o Imposto de Renda retido na fonte e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Incluem, também, no rol de informações que serão disponibilizadas através do e-Social as obrigações previdenciárias referentes à saúde do trabalhador.

O programa e-Social não é isolado, mas está integrado ao Sistema Público de Escrituração Digital – SPED.

COMO FUNCIONAVA O PROCESSO ANTES DO E-SOCIAL?

O e-Social foi criado a partir de um decreto-lei instituído no ano de 2014. Anteriormente as transmissões de informações eram feitas pelas empresas ao governo, de forma descentralizada. Portanto cada dado era enviado para um órgão governamental diferente.

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No modelo antigo, o processo era excessivamente burocrático, o que gerava diversas dificuldades para as organizações.

E AGORA COM O ESOCIAL?

Agora, a transmissão de informações ocorrerão do modo centralizado, ou seja, todos os dados relatados são transmitidos em um único lugar: e-Social. Tendo em vista, que há espaço para notificação de cada uma das informações relativas às áreas trabalhistas da empresa.

Para cada conteúdo é necessário gerar um novo evento. Os eventos, por sua vez, produzirão um código, que deverá ser digitado no sistema.

Possivelmente e-Social teve um problema inicial em ser implantado em decorrência das constantes mudanças de datas, o que implica em duas situações:

  • Por um lado, a empresa terá mais tempo para acostumar-se com as transformações, que não são poucas, dentro da companhia.
  • Por outro viés, existe o risco dos profissionais ficarem “acomodados” devido as constantes prorrogações de data.

De qualquer forma, ao que tudo indica, o prazo atual é o definitivo, sendo diferente para as empresas de grande porte, que já iniciaram a implantação em janeiro de 2018 e finalizarão as etapas no próximo ano.

As médias e pequenas empresas iniciaram o processos no meio deste ano, enquanto os órgãos públicos, só começarão a implantar o sistema em janeiro de 2019.

Basicamente, a implantação do e-Social foi dividida em 5 etapas, de acordo com as informações que deverão ser enviadas ao governo e segundo o tipo e porte da empresa.

Um exemplo são as informações referentes à saúde dos empregados. Em todos os casos, esses serão os últimos dados a serem enviados, com uma ressalva apenas na data final para envio:

Órgãos públicos: julho/2019

Empresas de grande porte: janeiro/2019.

Os diferentes prazos são um dos fatores que dificultam a compreensão do e-Social, entretanto, não são os únicos.

Dividiremos, nesse artigo, as dificuldades em três categorias:

1 –  Relacionados a capacitação;

2 –  Motivados pela falta de infraestrutura;

3 –  Originadas da cultura organizacional;

DIFICULDADES DECORRENTES DA CAPACITAÇÃO OU CONHECIMENTO DO SISTEMA

Ainda que os sindicatos da categoria contábil e os Conselhos Regionais ofereçam cursos para capacitação, a dificuldade em relação a qualificação, ainda não foi superada.

A primeira razão para isso se deve ao fato que nem todos os contadores possuem facilidade de acesso ou disponibilidade de horário para frequentarem os treinamentos.

Aliado a este fator, está o número de informações e eventos que deverão ser comunicados e transmitidos ao e-Social e aos numerosos códigos que dificultam a assimilação mais rápida do assunto. Portanto, o que demanda muito tempo.

O próprio manual disponibilizado pelo governo possui uma linguagem muito técnica, que dá um peso muito grande para os códigos de cada evento.  Além de confundir a leitura do manual, faz com que o processo seja pouco interessante, não retendo a atenção do profissional durante o aprendizado.

Apesar da crítica deste artigo, é preciso pontuar que, não podemos pensar que a aprendizagem de como utilizar o e-Social se dará de forma automática, ou que sindicatos e conselhos profissionais teriam condições de fornecer cursos de capacitação nos mais de 5000 municípios espalhados pelo Brasil.

Ou seja, antes de qualquer crítica é necessário considerar a diversidade de eventos, e as suas próprias particularidades a que devem ser submetidos.

O próprio conhecimento da legislação é outro fator que complica a situação dos profissionais, pois, além do que já foi dito referente a linguagem técnica e carga de informações, a legislação, em alguns casos, não deixa claro o que pretende dizer, ou pior, geram interpretações ambíguas, o que demanda mais dispêndios de tempo.

DIFICULDADES RELACIONADAS A CULTURA ORGANIZACIONAL

Esse tipo de entrave, basicamente, é aquele decorrente do modo em que a estrutura da empresa está organizada e como os empregados atuam. No caso, o excesso de documentações, típica da profissão contábil, provoca uma dificuldade ou falta de vontade das empresas em organizarem tudo isso digitalmente, o que impede enormemente o envio das informações.

As mudanças constantes de datas para o início da obrigatoriedade do e-Social colaborou para isso: como existe a fama do brasileiro postergar tudo, se o governo constantemente altera os prazos, há a tendência por parte dos envolvidos em julgarem que o governo prolongaria o prazo novamente, por isso, não haveria necessidade de urgência em manter todos os documentos no prazo.

DIFICULDADES DE INFRAESTRUTURA

Por último, existe as dificuldades de infraestrutura, ou seja, o profissional tem problemas em lidar com o e-Social. Isso pode se dá por uma série de fatores, vejamos abaixo alguns deles:

– Não há computadores suficientes no trabalho,

– Não possuem certificação digital,

– A carga de informações é de tão grande que a atual mão de obra não daria conta,

– A tecnologia disponível na empresa, em especial se tratarmos de microempresas, não possibilita o envio de informações de maneira correta,

Essa última possibilidade é bem rara de acontecer, mas, é preciso lembrar que o e-Social aplica-se também a empregadores domésticos, que, por um lado, nem sempre contam com um profissional contábil, e, por outro, não possui toda uma organização e estrutura existentes em uma sociedade empresária.

De forma bem sucinta, tentamos elencar nesse artigo, algumas dificuldades que surgem com a implantação do e-Social, embora, saibamos que o programa tem os pontos positivos e que há possibilidades reais desses problemas serem resolvidos ou amenizados, com o passar do tempo.

O eSocial já é realidade e infelizmente muitas empresas não estão se preocupando em adequar seus sistemas, processos e capacitar a sua equipe para este assunto. Muitos vão começar a tomar providências quando alguma multa for de fato aplicada.

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Conteúdo original via Sejakino

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