Reforma Tributária
Qual o impacto da Reforma Tributária no setor de materiais de construção?
Setor de insumos pode ter redução de carga, enquanto obras podem encarecer até 20%

O ano de 2026 marca o início oficial da transição para o novo sistema tributário brasileiro, e o setor de materiais de construção surge como um dos campos de maior transformação.
A implementação do IVA Dual — composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual/municipal) — altera radicalmente a lógica de preços, fornecedores e gestão de estoque para indústrias, varejistas e construtoras.
Diferente do modelo atual, em que tributos como PIS e Cofins costumam ser cumulativos para o comércio varejista (especialmente no Lucro Presumido), o novo sistema impõe a não cumulatividade plena.
Na prática, isso significa que cada imposto pago na compra de insumos gera um crédito automático para abater o imposto devido na venda, eliminando o “efeito cascata”.
Para o varejo de material de construção, a reforma tende a exigir adaptações operacionais e estratégicas que impactam o dia a dia da loja: preço, crédito, estoque, sistemas, negociação com fornecedores e fluxo de caixa.
Insumos X Obras
Estudos do setor mostram que a reforma terá dois efeitos diferentes. Enquanto materiais como cimento, aço e cerâmica podem ficar até 4% mais baratos devido ao melhor uso de créditos de impostos, o custo total de obras e reformas pode subir até 20%, já que o peso dos impostos sobre os serviços será maior
Essa pressão nos custos de construção deve-se à redistribuição da carga entre materiais e serviços. Enquanto os materiais geram créditos, a mão de obra direta não gera abatimentos no sistema de IVA, onerando empresas com baixa mecanização.
Leia também:
- FGTS Digital ficará indisponível para manutenção
- Abertas inscrições para 2ª edição do Exame de Suficiência com novidades
- ECF: publicado o manual do leiaute 12 com novas tabelas dinâmicas
- Como a inteligência artificial está redefinindo a profissão contábil
- O que configura crime fiscal e como manter a regularidade na sua empresa
Alíquotas reduzidas e regimes específicos
Para mitigar o impacto no setor imobiliário e habitacional, a Lei Complementar 214/2025 estabeleceu redutores de alíquota:
- Operações com bens imóveis: Redução de 50% na alíquota padrão.
- Locação de imóveis: Redução de 70%.
- RET (Regime Especial de Tributação): Mantido para incorporações já registradas até 2028, garantindo segurança jurídica aos projetos em andamento.
2026 será uma “fase piloto”
Neste primeiro ano, a carga tributária é simbólica (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), funcionando como um teste para os novos leiautes de notas fiscais. O montante pago será compensado integralmente com o PIS e a Cofins, que continuam vigentes até o final do ano.
A principal exigência para as lojas de materiais de construção em 2026 será a adaptação tecnológica de seus ERPs para suportar o Split Payment — mecanismo que separa o imposto no momento exato do pagamento eletrônico.
Recomendações estratégicas
Especialistas contábeis sugerem que as empresas do setor revisem imediatamente seu mix de fornecedores. Como o crédito tributário agora é o “novo desconto”, fornecedores que operam fora do Simples Nacional tendem a se tornar mais competitivos, pois repassam créditos maiores de CBS e IBS para o comprador.
O cenário exige que gestores financeiros abandonem a visão simplista de faturamento e passem a focar na gestão estratégica de créditos, sob pena de perda de margem de lucro em um mercado cada vez mais sensível ao preço final.
Adaptação institucional como diferencial de mercado
A implementação da reforma tributária consolida um cenário em que a inércia representa um risco direto à continuidade dos negócios.
No varejo de material de construção, a competitividade passará a ser medida pela agilidade na atualização de processos e pela capacidade de educação técnica de toda a cadeia comercial.
O planejamento antecipado e a modernização dos sistemas de gestão deixam de ser opcionais para se tornarem imperativos estratégicos. Empresas que priorizarem a organização e a visão analítica das novas regras em 2026 estarão em posição de vantagem, convertendo a complexidade do novo sistema em inteligência de mercado.
Por outro lado, a postergação dessas medidas amplia a exposição a riscos fiscais e operacionais, em um ambiente onde a eficiência tributária será, cada vez mais, o divisor entre o lucro e o prejuízo.
Curso de Recuperação do Simples Nacional:
Aprenda a recuperar o PIS e Cofins de 60 meses em até 3 dias!
Acesse: https://www.esimplesauditoria.com/curso-de-recuperacao-do-simples-nacional
INSS5 dias agoPrêmio ou salário? Receita explica quando há isenção de contribuição ao INSS
CLT4 dias agoNovas regras do crédito consignado CLT entram em vigor
Fique Sabendo5 dias agoO que muda na renovação da CNH para quem tem mais de 50 anos em 2026
Contabilidade3 dias agoJustiça suspende aumento de imposto para empresas do Lucro Presumido
Imposto de Renda4 dias agoReceita abre consulta ao 1º lote da restituição automática do IR; veja quem recebe
Reforma Tributária3 dias agoReforma Tributária e notas fiscais: mudanças a partir de agosto
CLT4 dias agoCalendário do PIS/Pasep 2026 está definido. Veja quando cai o abono
MEI4 dias agoDesenrola MEI começa nesta segunda com desconto de até 70%



























Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.