Queda no PIB não representa recessão técnica, porém inspira cuidados

De acordo com dados divulgados pela IBGE nesta manhã, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil caiu 0,1% no 3º trimestre de 2021 em comparação com os três meses anteriores. Embora alguns especialistas já tenham classificado a queda como um sinal de recessão técnica, a verdade é que pela ótica do processo de crescimento da economia, nada indica que em 2022 haverá uma recessão econômica de fato. Vale lembrar que o próprio Banco Mundial realizou projeções de crescimento do PIB brasileiro na ordem de 5,3% ainda em 2021, crescimento esse puxado pela recuperação das demandas interna e externa e aumento dos preços das commodities.

Essa ligeira queda do PIB foi caracterizada pela queda de 8% no setor agropecuário e pela queda na exportação de bens e serviços em 9,8%. No entanto, com relação ao agronegócio, é importante notar que tradicionalmente a produção agrícola brasileira é menor no segundo semestre (devido ao encerramento de algumas safras) e que apesar de tudo, o agronegócio teve sua queda apurada no momento de maior crise hídrica da história. Isoladas essas duas variáveis negativas, é fácil olhar para o próximo semestre com otimismo – o que deixa o fantasma da recessão ainda mais distante.

Por sua vez, a exportação de bens e serviços está intimamente ligada com a indústria que permaneceu estagnada. Não há como negar que pandemia desequilibrou a cadeia logística global. Os efeitos das interrupções na cadeia de produção brasileira durante 2020 e 2021 estão sendo sentidos agora e agravados pela sobrecarga na cadeia de distribuição global. Levará tempo até o cenário se reequilibre.

Apesar da queda do PIB não representar uma recessão por si, é imperioso que o governo faça a sua lição de casa. Reformas estruturais, estabilidade política, credibilidade e abstinência de medidas que agravem o processo inflacionário, devem estar na ordem do dia para que uma recessão real não encontre terreno fértil por aqui.

Allan Augusto Gallo Antonio, formado em Direito e Mestre em Economia e Mercados, é analista do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

O Centro Mackenzie de Liberdade Econômica é um think-tank liberal acadêmico, único no Brasil baseado em uma Universidade.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

Leonardo Grandchamp

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