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Revisão da vida toda já tem rendido atrasados de até R$ 200 mil

Autor: loureiro

Publicado em

Aposentados e pensionistas que estão conseguindo a revisão da vida toda na Justiça têm garantido uma bolada em atrasados. A reportagem encontrou processos com valores calculados entre R$ 50 mil e R$ 200 mil.

Os casos foram destravados nos tribunais após a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), em dezembro do ano passado.

O trabalhador pode levar o INSS à Justiça quando não consegue um benefício, como é o caso da aposentadoria. 

A ação judicial que permite o recálculo do benefício considerando todas as contribuições feitas pelo trabalhador pode ser solicitada por quem contribuiu sobre salários relativamente altos antes de julho de 1994.

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Em São Paulo, um aposentado, de 60 anos, pediu para que fossem incluídos seus vínculos trabalhistas desde janeiro de 1982.

Na decisão publicada nesta segunda-feira (20), a Turma Recursal, corrigiu o benefício de R$ 3.279,29 para R$ 3.888,01. O aposentado ainda vai receber cerca de R$ 54,4 mil em atrasados.

Outro aposentado paulista entrou com processo em 2017 e teve seu benefício corrigido para o teto previdenciário na última terça-feira (14). Ele vai passar a receber R$ 6.101,06 mais atrasados de R$ 97 mil. Na sua decisão, o TRF-3 citou o entendimento do STJ para aplicar a revisão.

Já uma aposentada que recebe atualmente o salário mínimo pediu para incluir contribuições feitas desde 1976. A Justiça aceitou o pedido e reajustou o benefício para R$ 4.253,75. Além do aumento mensal, a aposentada vai receber mais de R$ 202,7 mil em atrasados.

O valor dos atrasados requer uma conta complexa, por isso a dica é recorrer a um especialista em cálculos previdenciários.

Os atrasados são limitados aos cinco anos anteriores ao pedido na Justiça. Ou seja, se a aposentadoria foi concedida há mais tempo, o cálculo para nos cinco anos.

Supremo

A revisão da vida toda ainda pode ser contestada no Supremo Tribunal Federal e travar os processos. Para o advogado Murilo Aith, não há, no entanto, uma questão constitucional a ser discutida para que a decisão do STJ seja derrubada.

“O que ficou decidido pelo STJ é que a regra permanente de cálculo, se mais vantajosa do que a de transição trazida pela lei que instituiu o fator previdenciário, deve prevalecer”, diz.

Revisão exige cuidado, alerta especialista

A presidente do IBDP (Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário), Adriane Bramante, afirma que a revisão da vida toda nem sempre resulta em valores elevados de atrasados e, na pior das hipóteses, pode diminuir a renda mensal do segurado.

Para ela, é preciso ter cautela, pois nem todos os aposentados com contribuições altas antes de 1994 e benefícios concedidos nos últimos dez anos podem ganhar atrasados. “Na maioria dos casos essa revisão pode inclusive reduzir a renda”, segundo a advogada.

Para a Adriane, é essencial que o segurado contrate um especialista para fazer todos os cálculos previamente antes de viabilizar uma ação judicial. “Não são muitas pessoas que têm direito a esses valores atrasados. Só tem direito quem ficou no mínimo divisor ou que recebia muito mais anteriormente.”

“É importante lembrar também que agora o governo quer impor sucumbência aos aposentados que entrarem com ações e perder. Se o segurado entrar com uma ação que não tem direito vai pagar 10% do valor da ação para a Advocacia Geral da União. Por exemplo, entrou com uma ação de R$ 40 mil e perdeu, terá que pagar ao advogado da AGU R$ 4 mil.”

INSS

Confira casos julgados a favor de segurados

Valor dos atrasados: R$ 97 mil

  • Aposentado, de 64 anos
  • Data da aposentadoria: 20/04/2014
  • Entrou com processo na vara federal, em São Paulo
  • Recebia: R$ 4.633,28
  • Para quanto vai o benefício: R$ 6.101,06 (teto previdenciário em 2020)

Valor dos atrasados: R$ 54,4 mil

  • Aposentado, 60 anos
  • Data da aposentadoria: fevereiro de 2009
  • Recorreu à Turma Recursal de SP para incluir vínculos trabalhistas desde janeiro de 1982
  • Recebia: R$ 3.279,29
  • Para quanto vai o benefício: R$ 3.888,01

Valor dos atrasados até o momento: R$ 202,7 mil

  • Aposentada, 65 anos
  • Data da aposentadoria: outubro de 2014
  • Iniciou ação em vara federal para incluir contribuições desde 1976
  • Recebe atualmente: R$ 1.039
  • Para quanto vai o benefício: R$ 4.253,75

O que é a revisão da vida toda

  • Segurados que tinham altas contribuições antes da implantação do Plano Real, em julho de 1994, podem se dar bem com a revisão da vida inteira
  • A correção foi aprovada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça)

Para quem vale a pena

  • Em geral, essa revisão vale a pena para quem tinha carteira assinada e contribuía com valores altos à Previdência em outras moedas
  • Na Justiça, esses aposentados podem pedir a revisão do seu PBC (Período Básico de Cálculo), para incluir os salários recebidos antes da criação do real no cálculo da aposentadoria
  • Essa regra foi criada pela lei 9.876/99, após a reforma previdenciária realizada no governo Fernando Henrique Cardoso

Como é o cálculo da média salarial

  • Para quem já era segurado do INSS até 26 de novembro de 1999: são contadas 80% das maiores contribuições feitas a partir de julho de 1994
  • Para quem passou a contribuir com o INSS a partir de 27 de novembro de 1999 e atingiu as condições de se aposentar até 12 de novembro de 2019: são 80% dos mais altos recolhimentos desde novembro de 1999
  • Para quem atinge as condições de se aposentar a partir do dia 13 de novembro de 2019: a média salarial é calculada com todas as contribuições feitas a partir de julho de 1994

Como pedir a correção

  • O prazo para pedir a revisão da vida toda é de até dez anos após a concessão
  • A revisão da vida toda é reconhecida pela Justiça, mas não no INSS, mesmo assim, vale a pena fazer a solicitação primeiro para o instituto previdenciário para demonstrar a tentativa de uma solução administrativa
  • Essa tentativa de revisão no posto elimina o risco de a ação ser rejeitada pelo juiz
  • É recomendável procurar um especialista
  • Um advogado especialista em Previdência conhece o procedimento para iniciar a ação e fazer as contas, que são complexas

Atrasados

  • Os trabalhadores que conseguem revisão têm direito aos atrasados, ou seja, os valores acumulados no período em que o benefício não foi pago
  • Os valores são de até cinco anos antes do pedido

INSS pode recorrer no Supremo

  • A decisão do STJ ainda pode ser contestada pelo INSS no Supremo Tribunal Federal
  • A AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo na Justiça, já informou que vai analisar se irá recorrer ao STF
  • Neste caso, a revisão poderá ficar parada, à espera de decisão final

Dica extra: Compreenda e realize os procedimentos do INSS para usufruir dos benefícios da previdência social.

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Fonte: agora.folha.uol.com.br

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