CLT
Seguro-desemprego: mudança certa na hora errada?

Em maio do ano passado, o Senado aprovou um texto que endurecia as regras para o desempregado ter direito ao seguro-desemprego.
O tempo mínimo de trabalho para solicitar o benefício pela primeira vez passou de 6 para 12 meses; pela segunda vez, o prazo subiu de 6 para 9 meses. O número de parcelas também foi alterado.
“A restrição nas regras veio com o objetivo de tentar evitar um crescimento no montante sacado, por conta da crise, sobretudo da fiscal”, explica Sérgio Firpo, professor de economia do Insper.
2015 foi um ano crítico para a economia brasileira: inflação de 10,6%, queda de 3,8% do PIB (pior resultado em 25 anos) e desemprego em 9%.
As contas públicas eram parte do problema, e nesse sentido a mudança das regras teve impacto: no primeiro semestre de 2016 o número de requerentes caiu 6,4% em comparação com o mesmo período de 2015 e o de segurados, 6,1%.
Os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) comprovam, ainda, que o número de parcelas pagas caiu 13,4% e o valor desembolsado pelos cofres públicos, 4%.
Mas o corte no seguro também prejudicou os trabalhadores, agora que o desemprego atinge 11,6 milhões de pessoas e saltou 3 pontos percentuais em um ano para 12%, o maior índice desde 2012.
“Seguro-desemprego, apesar de ser só um colírio para os trabalhadores, ainda dava assistência financeira por um determinado tempo, mas agora não se encontra mais oportunidade no mercado e o profissional fica mais desamparado com as novas regras. Em 2005, por exemplo, o empregado demorava 8 meses para encontrar um novo trabalho em Pernambuco, hoje esse tempo é de 26 meses”, diz Istvan Kasznar, professor da FGV/EBAPE.
Mudança certa em hora errada
Restringir as regras básicas do seguro-desemprego era uma realidade necessária ao país: entre 2003 e 2014, a taxa de desemprego no país caiu de 12,3% para 4,7%.
No mesmo período, o gasto com seguro-desemprego foi de R$ 6,6 bilhões para mais de R$ 35 bilhões por ano (cerca de 0,5% do PIB).
Isso sinalizava que a rotatividade dos trabalhadores estava alta demais, pressionando os gastos públicos. Mas a mudança, no entanto, não veio na hora certa.
“A mudança na regra foi tal que deveria ter sido feita durante o período de crescimento econômico. Foi um diagnóstico certo, mas aplicado quando o emprego estava em queda e a rotatividade baixa, deixando a população desprotegida e desamparada”, explica Firpo.
Já para Kasznar, o problema do governo está muito além do seguro-desemprego:
“O Brasil está claramente despreparado para recuperar empregos. Continuamos com uma política de produtividade muito baixa, perdemos indicadores e não estamos investindo em novas áreas de geração de emprego. Por isso mexer isoladamente nas regras do seguro-desemprego é insuficiente”.
O economista sugere rentabilizar o FGTS do trabalhador, treinar melhor os funcionários do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para orientar o desempregado e implementar uma auditoria fiscal aos gestores de fundos e recursos que cuidam do repasse do dinheiro aos trabalhadores.
O ajuste é necessário, mas decisões como aumentar salários dos funcionários públicos e ao mesmo tempo dificultar os benefícios aos desempregados parecem incoerentes em um momento de recessão. Com Exame.
Contabilidade3 dias agoSenado simplifica regime tributário de profissionais liberais
Reforma Tributária3 dias agoConheça as opções de tributação que a Reforma trouxe para as empresas do Simples Nacional
INSS4 dias agoBolso cheio: INSS divulga as datas de pagamento do mês de julho
Contabilidade3 dias agoComo a inteligência artificial está redefinindo a profissão contábil
Contabilidade3 dias agoO que configura crime fiscal e como manter a regularidade na sua empresa
MEI4 dias agoGoverno libera R$ 2 bilhões em garantias de crédito para MEIs e caminhoneiros comprarem veículos
Simples Nacional3 dias agoComo abrir seu CNPJ em 2026 sem erro ou dor de cabeça
Reforma Tributária5 dias agoRegra de validação do IBS e da CBS entra em testes no ambiente de homologação da SVRS

































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.