Terceira Fase da Operação Overclean: Envolvendo Políticos, Empresários, Agentes Públicos em 4 Estados
A terceira fase da Operação Overclean desvendou um esquema criminoso complexo, com ramificações em Salvador, São Paulo, Aracaju e Belo Horizonte. A operação identificou indícios de obstrução de justiça, destruição de provas, manipulação de informações e uma extensa rede de corrupção envolvendo figuras públicas e privadas.
Um mandado de busca e apreensão cumprido em Salvador resultou na apreensão de um acervo de quase 100 joias e novos documentos que, segundo a Polícia Federal (PF), reforçam as suspeitas de obstrução de justiça por parte do empresário José Marcos Moura. A PF solicitou a prisão preventiva de Moura pela segunda vez, mas o pedido foi negado pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), após parecer contrário da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Bruno Oitaven Barral, secretário de Educação de Belo Horizonte, foi afastado do cargo por decisão do STF. Durante buscas em sua residência, a PF apreendeu maços de dólares e euros, além de joias e relógios de alto valor, guardados em um cofre. A nomeação de Barral para o cargo, em abril de 2024, contou com o apoio político de ACM Neto (União Brasil) e do próprio José Marcos Moura, uma conexão central na investigação.
A PF investiga a participação do empresário Alex Parente, já citado em fases anteriores da Overclean, por suspeita de destruição de provas e manipulação de dados para comprometer as investigações. A possível interferência no curso da apuração criminal fortalece a tese de obstrução de justiça.
A organização criminosa utilizava fraudes em licitações e contratos superfaturados para desviar recursos públicos, com o apoio de agentes públicos e privados. Os crimes investigados incluem:
A PF estima que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, provenientes de emendas parlamentares e convênios federais, com contratos suspeitos vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS).
O núcleo da organização criminosa estava estruturado na Coordenadoria Estadual do DNOCS na Bahia, com ramificações em Salvador, São Paulo, Aracaju e Belo Horizonte. O grupo direcionava verbas públicas para empresas ligadas a aliados políticos, especialmente no setor de coleta de lixo e serviços urbanos. José Marcos Moura desempenhava um papel estratégico como articulador e financiador de campanhas políticas, facilitando a obtenção de contratos milionários.
A operação expõe a interligação entre contratos públicos, emendas parlamentares e articulações político-partidárias, com o envolvimento de figuras de peso do União Brasil. A Overclean reforça a atuação conjunta da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) no controle de verbas públicas, com potencial para impactar as eleições municipais e estaduais de 2026.
| Pessoa Envolvida | Cargo/Função | Status na Investigação |
|---|---|---|
| José Marcos Moura | Empresário | Suspeito de obstrução de justiça; prisão preventiva negada. |
| Bruno Oitaven Barral | Secretário de Educação de Belo Horizonte | Afastado do cargo; investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. |
| Alex Parente | Empresário | Suspeito de destruição de provas e manipulação de dados. |
| ACM Neto | Político (União Brasil) | Apoio político a Bruno Barral; conexão investigada. |
As informações foram retiradas de Veja, Metrópoles e Folha de S.Paulo.
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