CLT
Trabalhar menos? PEC do fim da escala 6×1 avança na Câmara
Presidente da Casa, Hugo Motta, envia proposta da deputada Erika Hilton à CCJ. Texto prevê redução da jornada para 36h semanais

O debate sobre a flexibilização da jornada de trabalho no Brasil ganhou um novo capítulo e deu mais um passo nesta semana. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou o encaminhamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 8/25) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O texto, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe o fim da escala 6×1, um dos modelos mais tradicionais e polêmicos do mercado de trabalho brasileiro.
A CCJ vai analisar agora a admissibilidade da proposta. Se aprovada, o mérito será discutido em uma comissão especial antes de seguir para o plenário. Motta apensou ao texto um projeto semelhante do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sinalizando que a Casa buscará uma convergência entre as propostas.
Entenda a escala 6×1 e o que pode mudar
Atualmente, a Constituição Federal e a CLT permitem uma jornada de até 44 horas semanais, limitada a 8 horas diárias. A escala 6×1 é aquela em que o funcionário trabalha por seis dias consecutivos e possui apenas um dia de folga na semana.
É o modelo predominante em setores essenciais como comércio, farmácias, supermercados e hotelaria.
A proposta de Erika Hilton altera radicalmente esse cenário, propondo o seguinte:
- Reduz o teto semanal de 44 para 36 horas.
- Fim do 6×1: Na prática, a redução de horas inviabiliza o modelo de seis dias trabalhados, empurrando o mercado para modelos como o 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de folga) ou até o 4×3 (quatro dias de trabalho por três de folga).
- Prazo de Implementação: O texto da deputada prevê que a mudança entre em vigor em 360 dias após a publicação, enquanto o projeto apensado de Reginaldo Lopes sugere uma transição mais lenta, de 10 anos.
Histórico e motivação
O movimento pelo fim da escala 6×1 ganhou força nas redes sociais através do movimento VAT (Vida Além do Trabalho), liderado pelo vereador eleito Rick Azevedo, e foi abraçado pela deputada Erika Hilton no Congresso.
O argumento central é a saúde mental e o bem-estar do trabalhador, permitindo mais tempo para lazer, estudos e convívio familiar, o que, segundo defensores, poderia aumentar a produtividade por hora trabalhada.
Leia também:
- Receita define regras para imposto sobre venda condicional de empresas
- Evite multas: veja as regras e novidades da Declaração do ITR 2026
- FGTS Digital ficará indisponível para manutenção
- Abertas inscrições para 2ª edição do Exame de Suficiência com novidades
- ECF: publicado o manual do leiaute 12 com novas tabelas dinâmicas
Consequências e impasses no mercado
A proposta divide opiniões entre economistas e entidades de classe. O setor de serviços, que opera com margens estreitas e depende de funcionamento ininterrupto, demonstra preocupação com o “Custo Brasil”.
O fim da escala 6×1 traz consigo um intenso debate sobre os impactos reais no cotidiano da economia. Setores que dependem de mão de obra intensiva preveem uma alta nos custos, já que a necessidade de novas contratações para suprir as escalas de folga pode inflar os gastos com pessoal.
Especialistas apontam que, sem subsídios ou incentivos, há um risco real de que alimentação e serviços essenciais fiquem mais caros para a população.
Contudo, defensores da medida argumentam que o Brasil pode seguir exemplos internacionais bem-sucedidos. Nesses casos, a redução da jornada funcionou como um antídoto contra o turnover (a alta rotatividade de funcionários) e o adoecimento mental no trabalho.
Ao combater o esgotamento profissional, as empresas tendem a ganhar em qualidade e eficiência, compensando o aumento de custos com um ambiente de trabalho mais inovador e tecnológico.
O texto também mantém a possibilidade de compensação de horários e redução de jornada mediante acordos ou convenções coletivas, o que dá às categorias sindicais um papel central na adaptação à nova realidade, caso a PEC seja aprovada.
Agora, resta aguardar os próximos trâmites. Caso haja aprovação, a nova jornada entra em vigor 360 dias após publicação. Portanto, se for o caso, somente no próximo ano entra em vigor.
CLT4 dias agoNovas regras do crédito consignado CLT entram em vigor
Contabilidade3 dias agoJustiça suspende aumento de imposto para empresas do Lucro Presumido
Imposto de Renda4 dias agoReceita abre consulta ao 1º lote da restituição automática do IR; veja quem recebe
Reforma Tributária3 dias agoReforma Tributária e notas fiscais: mudanças a partir de agosto
CLT4 dias agoCalendário do PIS/Pasep 2026 está definido. Veja quando cai o abono
MEI2 dias agoGoverno libera R$ 2 bilhões em garantias de crédito para MEIs e caminhoneiros comprarem veículos
MEI4 dias agoDesenrola MEI começa nesta segunda com desconto de até 70%
Fique Sabendo4 dias agoAtivo de Luxo: Quanto realmente vale a Taça da Copa do Mundo de 2026?

































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.