Banco Central: Decisão sobre juros causa briga entre parlamentares

A Taxa Básica de Juros definida pelo Banco Central do Brasil (BCB) continua gerando discussões entre os parlamentares da Câmara dos Deputados, a base do governo está criticando as decisões do BCB enquanto a oposição apresenta discursos favoráveis ao Banco.

Ontem, terça-feira (28), o Banco Central realizou a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que não alterou a taxa Selic, continuando em 13,75% ao ano. O líder do governo na Câmara questionou os critérios e o desempenho do órgão.

A decisão do BCB gerou diversas discussões no Plenário da Câmara dos Deputados, entre apoiadores e opositores do governo.

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Banco Central e o motivo das discordâncias

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O Copom justificou a manutenção da taxa de juros argumentando que a inflação ainda pode crescer, não só no Brasil como em outros países. Na ata, o comitê também mencionou a incerteza sobre o arcabouço fiscal, regra ainda não anunciada pelo governo que substituirá o teto de gastos.

Portanto, após a divulgação da reunião do Copom com o Banco Central, representantes do governo se manifestaram contra a decisão do BCB, continuando as discussões que já estão durando semanas.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), criticou os juros altos e disse que o Banco Central não está cumprindo o que determina a lei que garante autonomia ao órgão. 

As discussões

Além de criticar o Banco Central, José Guimarães também criticou diretamente o presidente do BCB, Roberto Campos Neto:

“A lei que concedeu autonomia ao Banco Central diz: caberá à autoridade monetária zelar pela estabilidade e pela eficiência do sistema financeiro, suavizar as flutuações do nível da atividade econômica e fomentar o pleno emprego. O presidente do Banco Central não é maior do que o Brasil. Independente dos esforços que estão sendo feitos pelo governo, pelo ministro Haddad [Fazenda] para dar estabilidade fiscal e social ao País, ele [Campos Neto] mantém-se indiferente a tudo isso”, afirmou o parlamentar.

Os parlamentares opositores do governo consideram a decisão do Banco Central técnica e defendem Campos Neto das críticas do governo, como afirmou o deputado Carlos Jordy (PL-RJ):

“Eles insistem em continuar batendo na taxa Selic como se isso fosse ajudar, como se fosse alguma vingança do presidente Roberto Campos Neto contra o governo. Roberto Campos Neto foi eleito um dos melhores presidentes de Banco Central do mundo. É uma pessoa qualificada, que sabe que a taxa de juros não se modifica ao bel prazer de um governante qualquer, que na verdade busca um culpado para o seu fracasso”.

Matheus Vinicius Ribeiro

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