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De acordo com economista, se não houver reforma da Previdência futuras gerações serão mais pobres

Autor: Ricardo de Freitas

Publicado em

Em palestra na ACSP, o economista Paulo Tafner ainda disse que o Brasil deveria “desconstitucionalizar” a Previdência, para modificar as regras da aposentadoria

Caso não faça uma efetiva reforma da Previdência, o Brasil passará a gastar uma parcela cada vez maior de suas riquezas em aposentadorias e pensões, empobrecendo as gerações que no futuro assumirão cargos no sistema de produção.

“Esses jovens se conformarão em serem mais pobres ou então deverão desertar”, abandonando o país para procurar oportunidades em terras estrangeiras.

A advertência foi feita nesta segunda-feira (31/10) pelo economista Paulo Tafner, com uma longa carreira em estudos previdenciários, sobretudo no Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do Ministério do Planejamento.

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Ele fez palestra no Conselho de Economia da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O conselho é coordenado pelo economista Roberto Macedo.

Tafner expôs um raciocínio original para justificar a necessidade de mudar em profundidade as regras do sistema previdenciário.

Em lugar de se deter nos benefícios a serem reduzidos – como a idade para a aposentadoria -, ele abordou as questões estruturais, detendo-se nos efeitos econômicos de um quadro previdenciário desequilibrado.

A questão do empobrecimento em que o país necessariamente mergulhará se nada for feito deve-se ao crescimento descontrolado dos gastos previdenciários.

No censo demográfico de 2000, os idosos representavam 14,2 milhões de brasileiros, para 107 milhões que estavam na ativa. Pelas projeções do IBGE, em 2050 o número de idosos será 3,4 vezes maior. Serão 3,6 milhões acima de 90 anos e 300 mil com mais de 100 anos.

A questão estará em saber de que maneira sustentar essa parcela em crescimento progressivo da população, quando, na outra ponta -aqueles que deixarão a adolescência para entrar no mercado de trabalho -, o número de pessoas tende a diminuir.

Em 1970, as mulheres tinham em média cinco filhos. Elas têm hoje 1,78 (abaixo da linha de reposição da população). Para tanto, elas deveriam estar tendo dois filhos. Com tal configuração, em 2040 a população brasileira entrará em declínio.

Dentro desse quadro, os gastos com Previdência cresceram, em termos reais, 229% entre 1988 (promulgação da Constituição) e 2015, quando os últimos númeos foram fechados.

NÚMEROS ESTRATOSFÉRICOS

Esses gastos correspondem a 11,2% do PIB, o total de produtos e serviços do país. A aposentadoria no setor privado por tempo de contribuição, que em 2012 representavam R$ 112 bilhões, devem chegar em 2016 a R$ 135 bilhões.

Somem-se a esses números, neste mesmo ano, os R$ 104 bilhões por pensões por morte e os R$ 66 bilhões da aposentadoria rural.

No setor público, a Previdência tinha um déficit de 0,1% do PIB. Era quase irrelevante. Em 2015, esse déficit chegou a 1,4%.

Entre muitos fatores, o crescimento se deu porque também cresceram as despesas previdenciárias indexadas ao salário mínimo, que eram 30% das despesas no final dos anos 1980 e estão agora em 45%.

Mantidas as regras atuais, dentro de poucos anos a Previdência representará entre 18% e 21% do PIB. O país não terá mais como investir e empobrecerá, o que é um cenário realista e sombrio para aquilo que as novas gerações vão encontrar.

Paulo Tafner apresenta algumas sugestões que deveriam orientar a reforma da Previdência. Entre elas, aumentar a idade mínima para a aposentadoria, reduzir e prever no futuro a extinção das aposentadorias especiais para professores, militares e policiais militares, reduzir a diferença de idade mínima entre homens e mulheres e “desconstitucionalizar a Previdência”.

Essa última medida consistiria em operar de forma semelhante à do Japão, onde leis ordinárias – e não a Constituição, que exige uma grande mobilização da sociedade e do Congresso – estipulam a cada cinco anos, dependendo de mudanças do perfil demográfico, os meses a mais ou a menos que o assalariado deve trabalhar para se aposentar.

A vantagem desse conjunto de mudanças sugeridas está “na redução da trajetória” dos gastos previdenciários.

O abandono da indexação pelo salário mínimo reduziria os gastos em 10,6%; o fim do acúmulo de benefícios permitiria uma redução de 8,1%, enquanto as aposentadorias especiais (professores e militares) reduziriam a trajetória em 6,1%.

O economista fez uma digressão sobre as relações entre a reforma da Previdência e a PEC 241, que limita a progressão dos gastos públicos. A União gasta hoje com a Previdência 50,7% das receitas líquidas. Em 2035, com a PEC já tendo chegado a seu período de validade, esse número cairia para 29%.

Matéria: Diário do Comércio

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