Economia
Governo propõe isenção de ICMS sobre importação de diesel para conter alta nos postos
Quase um terço do diesel utilizado no país vem do exterior

Em uma tentativa de frear a escalada de preços dos combustíveis e aliviar o peso no bolso do consumidor, o Governo Federal apresentou uma proposta aos estados para zerar a alíquota do ICMS incidente sobre a importação de óleo diesel.
A medida, discutida nesta quarta-feira (18) entre o Ministério da Fazenda e secretários estaduais, sugere a manutenção da isenção até o final de maio. Estima-se que, caso os governadores aceitem a proposta, a perda de arrecadação chegue a R$ 3 bilhões por mês, montante do qual a União se compromete a compensar metade.
A iniciativa guarda semelhanças com estratégias adotadas em 2022, quando a redução de alíquotas gerou debates sobre o equilíbrio fiscal dos estados.
Segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, a intenção é criar um “alívio” na cadeia produtiva, somando-se à já vigente desoneração de tributos federais como PIS e Cofins sobre o combustível. O governo aguarda uma resposta definitiva dos entes federativos até o dia 28 de março.
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Fiscalização e indícios de abuso
A movimentação política ocorre em meio a um cenário de disparada de preços nas bombas. Em Brasília, o valor do litro do diesel saltou de uma média de R$ 6 para mais de R$ 8 em menos de três semanas.
Esse aumento repentino acendeu o alerta de órgãos de controle. Operações conjuntas entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Procon já resultaram na autuação de distribuidoras no Ceará e no Distrito Federal.
As autoridades investigam indícios de altas abusivas, sob a suspeita de que postos e distribuidoras estariam repassando reajustes baseados no cenário internacional para combustíveis que ainda faziam parte de estoques antigos, comprados por valores inferiores.
A Polícia Federal já abriu inquérito para apurar as irregularidades, e as multas aplicadas podem atingir a cifra de R$ 500 milhões.
A composição do preço
O desafio do governo em controlar o valor final se deve à complexidade da estrutura de custos do diesel, do qual cerca de 30% é importado. Atualmente, o preço médio nas bombas é composto por diferentes fatias:
- 40% referem-se à parcela da Petrobras (produção);
- 27% são destinados à distribuição e revenda;
- 17% representam o ICMS (imposto estadual);
- 11% correspondem ao biodiesel misturado ao produto;
- 5% são relativos aos impostos federais.
Com a proposta de zerar o ICMS sobre o diesel importado, o Executivo busca atacar uma das maiores fatias tributárias para tentar estabilizar o mercado interno diante da volatilidade causada por conflitos internacionais.
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