Contabilidade

Nova contagem de tempo para manifestar notas exige atenção redobrada na gestão fiscal

Desde 1º de junho de 2026, já está em vigor o novo prazo de Manifestação do Destinatário, que passou de 180 para 90 dias. Esse período é contado a partir da data de autorização da nota fiscal eletrônica, conforme previsto no Ajuste SINIEF nº 14/26 e Nota Técnica 2020.001 v.1.60. 

A mudança exige atenção redobrada das companhias que utilizavam a janela de seis meses para conciliar inconsistências no estoque ou resolver disputas comerciais de longo prazo.

A Manifestação do Destinatário é o processo em que uma empresa avisa ao governo se reconhece ou não uma nota fiscal emitida no seu CNPJ.

Confira a seguir mais detalhes sobre a Manifestação do Destinatário.

Vantagens ao adotar a Manifestação do Destinatário

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A adoção da Manifestação do Destinatário traz vantagens estratégicas significativas para a gestão empresarial, a começar pelo aumento da visibilidade e do controle sobre todas as notas fiscais emitidas contra o CNPJ da companhia. 

Esse acompanhamento rigoroso permite confirmar oficialmente o recebimento das mercadorias junto ao fornecedor e confere autonomia ao negócio, que passa a fazer o download do arquivo XML diretamente, sem depender do envio por parte de terceiros.

Além de otimizar a rotina operacional, o procedimento oferece segurança jurídica ao impedir que o emitente realize o cancelamento indevido de uma nota fiscal após a conclusão do negócio. 

Essa blindagem protege a empresa contra fraudes e a utilização de notas frias, garantindo a plena conformidade fiscal perante a Secretaria da Fazenda (SEFAZ) e evitando o risco de autuações ou multas pesadas.

Leia também:

Como evitar fraudes com a manifestação de notas?

Sem o rastreamento das notas emitidas contra o seu CNPJ, sua empresa pode ser multada por não escriturar documentos que nem sabia que existiam. 

Ferramentas de monitoramento resolvem esse problema, permitindo que você use a Manifestação do Destinatário para apontar o “desconhecimento da operação” e se proteger de fraudes imediatamente. 

Impacto na contabilidade

Para o setor contábil, a redução do prazo acende um alerta vermelho. Tradicionalmente, muitas micro e pequenas empresas costumam juntar malotes de documentos fiscais e enviá-los ao contador apenas uma vez por mês — ou até no fechamento do trimestre. Com o novo prazo de 90 dias, essa dinâmica antiga se torna inviável.

Se uma nota fiscal for emitida no início de um período e o cliente demorar a repassar a informação, o contador terá uma janela de tempo curtíssima para identificar o documento, validar com o cliente e realizar a manifestação conclusiva antes que o prazo expire.

Os principais riscos da falta de agilidade incluem:

  • Passivos por “Notas Frias”: Se o CNPJ de um cliente for usado indevidamente em uma fraude e o prazo de 90 dias passar sem que o contador registre o “Desconhecimento da Operação”, aquela nota será considerada válida pelo Fisco. Isso pode gerar cobranças indevidas de impostos e problemas na malha fina.
  • Obrigatoriedade de Automação: Escritórios que ainda realizam a consulta de notas de forma manual ou dependem 100% do envio de arquivos por parte do cliente precisarão adotar plataformas de captura automática de NF-e direto da SEFAZ para sobreviverem ao novo ritmo.

Impacto na rotina das empresas

Se antes o fechamento e a validação de notas antigas podiam ser empurrados para a frente, agora o monitoramento precisa ser praticamente semanal. Caso o prazo de 90 dias seja perdido, o destinatário perde a oportunidade de registrar legalmente que desconhece aquela operação, o que pode gerar penalidades estaduais severas.

Para empresas que lidam com um grande volume de compras, a recomendação de consultores é o investimento imediato em sistemas automatizados de recepção de arquivos XML, eliminando a dependência de processos manuais na consulta ao portal da Secretaria da Fazenda.

Ana Luzia Rodrigues

Ana Luzia Rodrigues é formada em Comunicação Social pela Universidade Estácio de Sá e já atua na profissão há mais de 30 anos. Já foi repórter, diagramadora e editora em jornais do interior e agora atua na mídia digital. Possui diversos cursos na área de jornalismo e já atuou na Câmara Municipal de Teresópolis como assessora de imprensa.

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