Reforma Tributária
Reforma tributária vai demandar soluções inteligentes das incorporadoras e abrir espaço para repensar modelos de negócio, defendem especialistas
Tema foi discutido em evento com incorporadoras de todo o Brasil organizado pela Versi

Com a implementação gradual da Reforma Tributária, as incorporadoras que atuam no segmento econômico no Brasil terão pela frente não apenas a necessidade de se adequar ao novo regime, mas também de olhar com atenção para a possível necessidade de repensar seus modelos de negócio, o que abre espaço para transformações no setor. A análise é do presidente do conselho consultivo da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, durante a edição 2025 do Juntos, evento realizado pela real estate fintech Versi que reúne incorporadoras parceiras que estão distribuídas por todo o Brasil.
Os efeitos da reforma tributária nas incorporadoras foram debatidos em um painel durante o evento, que contou com a participação de José Carlos Martins, Jardel Cardoso, sócio da Versi, e Daniel França, sócio da RDR Engenharia. Na conversa, destacou-se a necessidade de o mercado buscar soluções inteligentes que unam eficiência operacional e inteligência fiscal para se adaptar às mudanças em curso. Trata-se de um cenário em que a demanda por capital de giro tende a aumentar, elevando o custo financeiro e exigindo mais preparo na estruturação dos projetos. Especialmente no segmento econômico da construção civil, em que o valor final é um fator relevante, há um ponto de atenção para que as incorporadoras tentem evitar a elevação dos preços.
Com a substituição do PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos tributos (CBS federal e IBS estadual/municipal), o setor imobiliário sairá do regime cumulativo e passará a operar em um regime não cumulativo. Isso significa que incorporadoras poderão aproveitar créditos fiscais, mas também precisarão implantar controles mais sofisticados para apurar débitos e créditos. A carga tributária tende a aumentar, já que IBS e CBS são mais abrangentes, incluindo transações como locação e venda de imóveis, antes isentas de ICMS/ISS. Em contrapartida, a reforma prevê redutores — como alíquota reduzida em até 50 % para imóveis residenciais — e mecanismos transitórios que podem suavizar o impacto inicial.
Esses elementos reforçam a necessidade de revisões de contratos, sistema de fornecedores e planejamento tributário detalhado para mitigar riscos e aproveitar os benefícios ao longo do processo de transição. Desta forma, segundo Martins, a reforma vai muito além do cálculo do imposto: “Ela convida as incorporadoras a repensarem o modelo de negócios como um todo, já que poderá impactar terreno, venda, obra, receita e, principalmente, o fluxo de caixa”, destacou.
Apesar dos desafios, a reforma também abre novas oportunidades. Com a possível elevação da arrecadação municipal, surge espaço para uma agenda mais construtiva entre prefeituras e incorporadoras, incentivando parcerias e novos formatos de desenvolvimento urbano.
Entre os caminhos apontados na conversa estão a industrialização e, especialmente, a segmentação da produção — seguindo o exemplo do setor automotivo e garantindo uma especialização por parte das incorporadoras em setores em franca expansão, como é o caso do econômico. Mas, para isso, quem vive o mercado entende também que as viabilidades clássicas e estáticas precisarão evoluir, visto que o novo cenário exige modelagens mais dinâmicas, com variáveis que impactam o resultado e o fluxo de caixa.
Outro ponto de atenção é o comportamento dos sistemas da Receita Federal no novo regime. Ainda não se sabe como será a agilidade e a precisão na apuração e compensação dos créditos, o que exige cautela na gestão do caixa — especialmente diante da expectativa de aumento da necessidade de capital de giro. Isso poderá pressionar o custo financeiro dos empreendimentos e demandar mais preparo na estruturação dos projetos.
“A reforma tributária, a falta de mão de obra especializada e produtiva e as necessárias legislações ambientais e sociais, cada vez mais exigentes, vão transformar o modelo de negócio da construção. Não podemos ser como os taxistas que foram surpreendidos pelo Uber”, concluiu José Carlos Martins.

INSS5 dias agoPrêmio ou salário? Receita explica quando há isenção de contribuição ao INSS
CLT4 dias agoNovas regras do crédito consignado CLT entram em vigor
Fique Sabendo5 dias agoO que muda na renovação da CNH para quem tem mais de 50 anos em 2026
Contabilidade3 dias agoJustiça suspende aumento de imposto para empresas do Lucro Presumido
Imposto de Renda4 dias agoReceita abre consulta ao 1º lote da restituição automática do IR; veja quem recebe
Reforma Tributária3 dias agoReforma Tributária e notas fiscais: mudanças a partir de agosto
CLT4 dias agoCalendário do PIS/Pasep 2026 está definido. Veja quando cai o abono
MEI4 dias agoDesenrola MEI começa nesta segunda com desconto de até 70%































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.