Foto: Arquivo/Agência Brasil
Economistas realçaram nesta terça-feira (19) a importância do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em uma eventual retomada da economia depois da pandemia de Covid-19. O debate foi promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos (Cedes) da Câmara dos Deputados.
Dividiram a avaliação o ex-diretor executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento Paulo Nogueira Batista Jr., a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Carmem Feijó, e o presidente da Associação dos Funcionários do BNDES, Arthur Koblitz.
Na visão desses três economistas, os bancos públicos de desenvolvimento são fundamentais na oferta de empréstimos de longo prazo a taxas de juros mais baixas. Para os países de renda média (“emergentes”), essa relevância é maior frente aos riscos do capital externo – em geral volátil e denominado em dólar.
Batista Jr. lamentou que recentemente tenha havido no País a “demonização” do BNDES, ainda que os críticos tenham sido obrigados a reconhecer que “não há caixa-preta” na instituição. “Bancos públicos têm problemas, mas também possuem vantagens”, disse, apoiando os avanços nas regras de governança.
Batista Jr., Feijó e Koblitz foram ainda unânimes ao avaliar que o Brasil “está na contramão do resto do mundo” para eventual retomada. Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e China optaram por investimentos com recursos públicos. Já o Brasil, opinaram, adota receituário liberal que fracassou em crises anteriores.
Carmem Feijó defendeu um planejamento estratégico para além das metas de política econômica, para incentivar a “indústria 4.0” (baseada em tecnologia e sustentabilidade), a geração de empregos e o aumento dos salários. “Diante de uma economia estagnada, as medidas devem ser contracíclicas”, ressaltou.
Arthur Koblitz cobrou a revisão imediata da Taxa de Longo Prazo (TLP) aplicada nas operações do BNDES conforme a Lei 13.483/17. A TLP resulta em parte dos juros em títulos públicos e da inflação (IPCA), e, para ele, essa fórmula no atual cenário de alta dos preços deverá encarecer os financiamentos às empresas.
Diante das restrições impostas pelo teto de gastos, a professora da UFF sugeriu uma diferenciação entre as despesas que visam estimular a economia daquelas relacionadas com a máquina governamental. O presidente da AFBNDES reforçou a ideia sugerindo a separação dos investimentos em infraestrutura.
Durante o debate promovido pelo Cedes, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Ricardo Sabbadini, informou que os saldos das operações do BNDES, que vinham em queda desde 2016, apresentaram recuperação a partir do segundo semestre de 2020, mantendo relativa estabilidade desde então.
O encontro desta terça analisou cenários possíveis para o crédito a empresas e consumidores e para os juros no futuro. Foi coordenado pelos deputados Da Vitória (Cidadania-ES) e Francisco Jr. (PSD-GO), relatores de estudo intitulado “Retomada econômica e geração de emprego e renda no pós-pandemia”.
Segundo Francisco Jr., há dificuldades na obtenção de crédito no Brasil. “Uma empresa praticamente precisa provar que está bem e não precisa de recursos”, afirmou. Ricardo Sabbadini, do Banco Central, disse que a instituição mantém programas para facilitar os empréstimos e reduzir custos para os tomadores.
O debate foi mais uma etapa no âmbito desse trabalho em curso no Cedes, cujo objetivo é propor a atualização de leis sobre o papel do Estado, da iniciativa privada e das organizações sociais em estratégias e ações para recuperação da economia no pós-pandemia, com geração de empregos e elevação da renda.
O Cedes é um órgão técnico consultivo da Câmara dos Deputados dedicado a análise, discussão e prospecção de temas de caráter inovador ou com potencial de transformar as realidades econômica, política e social do País.
O colegiado é composto por 23 parlamentares e conta com apoio da Consultoria Legislativa.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Como a parceria com a contabilidade protege o caixa e orienta as decisões de expansão…
Esta obrigação acessória tem seu prazo de envio até o dia 31 de julho
Como a nova padronização de campos exige uma ponte rápida entre escritórios contábeis, transportadoras e…
Resolução do Conselho de Recursos da Previdência Social detalha exigências específicas para cada categoria de…
Prazo de adesão ao programa da PGFN vai até 30/09. Contudo é preciso cautela com…
Proposta que unifica regras trabalhistas para jovens e pessoas com deficiência deve retornar à pauta…