Contabilidade
Ex-funcionária de Alexandre Pires é condenada a 16 anos por desviar R$ 1,5 milhão

Uma ex-funcionária do cantor Alexandre Pires foi condenada a 16 anos de prisão por desviar mais de R$ 1,5 milhão das contas do artista e de sua esposa, Sara Campos. O crime, segundo a Justiça, ocorreu entre os anos de 2014 e 2018, e veio à tona após o casal notar mudanças no padrão de vida da então administradora financeira, Uiara Regina Cardoso Teixeira.
Contratada de confiança, Uiara controlava todas as movimentações financeiras da vida pessoal e profissional do casal. Mesmo com um salário de cerca de R$ 4 mil, ela adquiriu bens de alto valor, como imóveis, veículos de luxo (Audi A5, Mitsubishi Pajero e L200 Triton), além de realizar reformas expressivas em imóveis, como na oficina de seu marido, Elcione Cassiano, que passou de simples a sofisticada. Ele também foi condenado a seis anos de prisão por lavagem de dinheiro.
De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a ex-funcionária se aproveitou da relação de confiança para cometer crimes de furto e estelionato, reiteradamente, ao longo de quatro anos. A sentença detalha provas documentais, como revogações de procurações, notas fiscais, relatórios contábeis, laudos periciais e conversas extraídas de aplicativos de mensagens, além do histórico bancário da ré.
Confiança extrema e autonomia total
O vínculo entre Uiara e Sara Campos começou em 2007, quando ambas trabalhavam em uma concessionária de motocicletas e se tornaram amigas. Em 2008, Sara se casou com Alexandre Pires e, em 2011, o cantor rompeu com o escritório que até então cuidava de suas finanças. A partir de então, Uiara assumiu integralmente a gestão das contas pessoais e empresariais do casal.
Segundo depoimento de Sara, a confiança era tamanha que Uiara tinha cheques em branco assinados e procurações plenas. Parte dos pagamentos era feita com cartão de crédito, mas muitas despesas eram deixadas sob responsabilidade direta da funcionária.
Vida de luxo levantou suspeitas
A rotina de desvios teria começado em 2014, mas foi apenas em 2018 que Alexandre e Sara perceberam os sinais: Uiara passou a ostentar um padrão de vida incompatível com sua renda, fazendo viagens frequentes, adquirindo roupas de grife, realizando procedimentos estéticos e comprando carros de alto padrão.
A desconfiança levou à revogação de todas as procurações em nome de Uiara e à demissão por justa causa. Mesmo assim, posteriormente, a ex-funcionária ainda teria usado uma procuração inválida para habilitar linhas telefônicas em seu nome e utilizar créditos de uma operadora ligados ao casal.
Controle absoluto e ausência de prestação de contas
Segundo o processo, Uiara não repassava os dados financeiros a um escritório de contabilidade responsável pelas prestações de contas do casal. Um ex-funcionário que atuou entre 2013 e 2022 afirmou que todas as movimentações financeiras passavam por ela e que não havia reuniões ou conferências para tratar do assunto.
Ele relatou que a prática de emitir cheques para pagamentos era comum, mas que a partir de 2014, isso se intensificou, tornando-se semanal. Os valores, segundo ele, frequentemente superavam os montantes reais das contas, e Uiara justificava o excedente como sendo para “pagamentos por fora”, sem especificar quais.
Provas de fraudes e assinaturas falsas
O contador de Alexandre Pires e Sara Campos declarou à Justiça que, em auditoria, foram detectadas diversas irregularidades, muitas delas justificadas com a rubrica “retirada para Sara”, mas com assinaturas falsificadas, segundo laudo de grafotecnia.
A quebra de sigilo bancário revelou que os valores desviados coincidem com as movimentações nas contas bancárias de Uiara, confirmando os indícios do crime.
Defesa alega inocência e recorre
A defesa de Uiara nega todas as acusações e afirma que ela é inocente. Em nota enviada ao jornal Estado de Minas, os advogados alegam que a ex-funcionária sempre foi uma profissional zelosa e que participou de todas as auditorias mensais. Também informaram que já foi interposto recurso contra a sentença, e que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais ainda julgará o caso em segunda instância.
A defesa sustenta ainda que a cliente já possuía bens antes de trabalhar com Alexandre Pires, fruto de renda familiar, e que está movendo ação para reaver documentos que teriam sido retirados de sua posse e comprovariam a legalidade de suas movimentações.
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