CLT
Mudança no trabalho em feriados é adiada por mais 3 meses
Após cinco adiamentos sucessivos, a norma que exige negociação prévia para o trabalho em feriados volta a ter seu prazo estendido, afetando 12 setores da economia

O Ministério do Trabalho e Emprego decidiu prorrogar por mais três meses a entrada em vigor da Portaria 3.665/2023, que redefine as normas para o funcionamento de estabelecimentos comerciais durante feriados.
A medida, que será oficializada no Diário Oficial da União, visa ampliar o espaço para o diálogo entre representantes de patrões e empregados em setores como supermercados, farmácias e varejo em geral.
Comissão de negociação
Para mediar o impasse, o governo determinou a criação de uma comissão bipartite composta por 20 membros — dez representantes dos trabalhadores e dez dos empregadores.
As entidades do setor têm o prazo de cinco dias para indicar seus representantes ao ministério. O grupo terá a missão de apresentar, em até 90 dias, uma proposta de consenso sobre o tema, com reuniões quinzenais acompanhadas por assessoria técnica do Ministério do Trabalho.
Segundo o governo, a iniciativa busca reforçar o compromisso com o diálogo social e encontrar um ponto de equilíbrio nas relações trabalhistas.
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O que muda na legislação
Publicada originalmente em novembro de 2023, a portaria restabelece a obrigatoriedade de convenção coletiva para autorizar o trabalho em feriados, retomando o entendimento de leis federais dos anos 2000 e 2007.
Na prática, empresas do atacado e varejo que desejarem abrir nessas datas deverão obrigatoriamente firmar acordos com os sindicatos da categoria, respeitar a legislação municipal e ajustar práticas internas que hoje se baseiam apenas em acordos individuais.
A nova norma revoga uma determinação de 2021, que permitia o funcionamento mediante acordos diretos entre patrão e empregado. O governo atual considera que o modelo anterior era incompatível com a legislação vigente.
Impasse entre setores
O tema divide opiniões. De um lado, os sindicatos de comerciários argumentam que a exigência de convenção coletiva apenas cumpre a lei e protege o trabalhador contra jornadas abusivas. Do outro, o setor empresarial expressa preocupação com o aumento de custos e a insegurança operacional.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) alertou que a medida pode levar ao fechamento de lojas em regiões onde não há sindicatos estruturados para realizar as negociações.
O cenário é considerado crítico para 2026, ano em que nove feriados nacionais cairão em dias úteis, aumentando a necessidade de negociações.
Vale ressaltar que o Ministério do Trabalho esclareceu que a portaria não afeta as regras para o trabalho aos domingos, que permanecem regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e pela legislação atual.
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