Connect with us

Simples Nacional

Novas regras da Receita premiam empresas que cumprem prazos

Bons contribuintes terão mais benefícios junto à Receita Federal

Autor: Ana Luzia Rodrigues

Publicado em

A Receita Federal publicou, na última sexta-feira, dia 27, um conjunto de três instruções normativas que marcam a maior modernização na relação entre o Fisco e o setor produtivo das últimas décadas. 

As novas regras regulamentam os programas de conformidade instituídos pela Lei Complementar nº 225/2026, o chamado Código de Defesa do Contribuinte. Com a integração dos programas Sintonia, Confia e Operador Econômico Autorizado (OEA), o órgão busca abandonar o caráter meramente punitivo para atuar como parceiro de empresas que operam na legalidade.

A mudança de postura reflete uma estratégia de longo prazo. Em vez de aguardar o erro para aplicar multas, a Receita passa a oferecer orientação prévia e simplificação de processos. O objetivo central é oferecer segurança jurídica para que o setor privado reduza gastos com disputas judiciais e foque na geração de emprego e renda.

Leia também:

Programa Sintonia

⚠️ ACESSO EXCLUSIVO
Você está perdendo conteúdos exclusivos
Acesso sem anúncios + conteúdos especiais e privados.
R$4,90
Teste por 30 dias • depois R$9,90/mês
LIBERAR MEU ACESSO AGORA
✔ Cancelamento fácil • Sem compromisso

A principal novidade para a base ampla de empresas é o programa Sintonia, regulamentado pela IN nº 2.316/2026. A partir de abril, o sistema classificará todas as pessoas jurídicas do país — incluindo as optantes pelo Simples Nacional — em cinco categorias, de A+ a D. A nota será baseada em 26 indicadores que avaliam desde a regularidade do cadastro e das declarações até a consistência dos pagamentos.

As empresas que atingirem o selo “A+” terão acesso a benefícios inéditos, como prioridade na restituição de tributos, atendimento preferencial e o Bônus de Adimplência Fiscal, que oferece um desconto inicial de 1% na CSLL, podendo chegar a 3% ao longo dos anos. Além disso, os contribuintes com nota máxima ganham o direito à autorregularização sem multa de mora em um prazo de 60 dias.

Cooperação com os gigantes da economia

Para os grandes grupos econômicos, a Receita atualizou o programa Confia através da IN 2.317/2026. Alinhado aos padrões de conformidade cooperativa da OCDE, o programa conta atualmente com 51 empresas que, juntas, representam 10% da arrecadação federal. 

A lógica aqui é o diálogo constante: as empresas mantêm canais diretos com auditores-fiscais para corrigir erros antecipadamente, evitando litígios.

Entre as vantagens para as empresas habilitadas no Confia estão a dispensa de penalidades administrativas em casos de ajustes consensuais e um prazo de até 120 dias para regularização com afastamento de juros. 

No campo prático, o programa já demonstra resultados: durante a fase piloto, centenas de certidões de débito foram renovadas de forma cooperativa, eliminando a necessidade de medidas judiciais que eram comuns no passado.

Comércio exterior

A terceira frente da reforma atinge o Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA), voltado ao comércio exterior. A nova norma desmembra as empresas em três níveis de qualificação: Essencial, Qualificado e Referência. O destaque é o nível “Referência”, concedido apenas a operadores que já possuem nota máxima nos programas Sintonia ou Confia.

Essas empresas de elite passarão a usufruir de benefícios logísticos estratégicos, como o diferimento do pagamento de tributos para após o desembaraço da mercadoria, o que alivia o fluxo de caixa. 

Além disso, as cargas dessas empresas terão passagem praticamente livre. Com dispensa de conferência aduaneira na maioria dos casos, garantindo uma fluidez sem precedentes nos portos e aeroportos brasileiros.

A integração desses três pilares sob o mesmo arcabouço normativo encerra o ano de 2026 como o marco da conformidade no Brasil. Ao adotar critérios de transparência e incentivos positivos, a Receita Federal espera elevar a qualidade da arrecadação. Além de aproximar o ambiente de negócios brasileiro dos padrões das economias mais desenvolvidas do mundo.

Mais lidas