Reforma Tributária
O imposto do seu curso de inglês vai explodir? Entenda a polêmica

A reforma tributária foi celebrada como uma grande vitória para a educação no Brasil, com a promessa de um corte brutal de 60% nos impostos sobre as mensalidades. A notícia trouxe um alívio para milhões de famílias e estudantes. Mas, por trás da manchete positiva, uma decisão polêmica e quase secreta na lei de regulamentação pode ter o efeito contrário: encarecer drasticamente cursos essenciais, como o de inglês, e criar um obstáculo ao avanço de milhares de brasileiros.
A verdade é que, ao detalhar as regras, o Congresso Nacional optou por um caminho controverso. Em vez de definir de forma ampla o que são “serviços de educação” para receber o benefício, como mandava a Constituição, os parlamentares criaram uma lista fechada e restritiva. E o resultado é um contrassenso que está gerando uma guerra de pareceres no mundo jurídico: o ensino de línguas nativas de povos originários entrou na lista do desconto, mas o de línguas estrangeiras, como o inglês e o espanhol, ficou de fora.
O que parece um detalhe técnico é, na verdade, uma decisão com um impacto gigantesco no seu bolso e no futuro profissional de uma geração. Enquanto a Constituição prega uma educação ampla, que qualifica para o trabalho e para o exercício da cidadania, a nova lei tributária pode acabar punindo justamente os cursos que preparam o brasileiro para um mercado globalizado.
‘Definir’ não é ‘listar’: a pegadinha da lei
O centro da polêmica está em uma batalha de palavras. A Emenda Constitucional da reforma (EC 132/2023) determinou que a lei complementar deveria definir quais serviços de educação teriam o imposto reduzido. Juristas e especialistas, como Raphael Daou e Camila Galatti, argumentam que “definir” significa criar um conceito, parâmetros objetivos que abarcariam o setor de forma ampla.
No entanto, a lei que regulamentou a reforma (LC 214/2025) ignorou esse comando e, em vez de definir, simplesmente listou uma série de atividades. Ao criar uma lista fechada (um rol taxativo), tudo o que não está expressamente nela, por exclusão, não terá direito ao desconto de 60% e, portanto, pagará a alíquota cheia do novo imposto, que pode chegar a 27%.
Veja mais: Quais as regras da aposentadoria da pessoa com deficiência em 2025?
O inglês virou artigo de luxo?
O exemplo mais gritante dessa exclusão é o ensino de idiomas estrangeiros. Em um mundo onde o inglês é a língua dos negócios, da ciência e da tecnologia, a decisão de não incluir as escolas de idiomas no regime favorecido soa como um tiro no pé.
O contrassenso é ainda maior quando lembramos que o próprio governo federal, através do ENEM, exige o conhecimento de língua estrangeira como critério para o acesso às universidades públicas.
Ou seja, o governo cobra uma habilidade, mas a nova lei pode encarecer o caminho para adquiri-la. A medida, segundo os críticos, cria um obstáculo ao desenvolvimento de competências cruciais e pode aumentar ainda mais a desigualdade no acesso a vagas de trabalho qualificadas.
Veja mais: Terapia online: alternativa real para empresas se adequarem à nova exigência da NR-1
O que entrou e o que ficou de fora da lista
A decisão de criar uma lista restritiva gerou distorções e uma grande insegurança jurídica. A batalha agora será para tentar ampliar esse conceito na justiça ou através de novas leis, argumentando que a regulamentação desobedeceu ao espírito da Constituição.
Como ficou a divisão na prática:
- Com 60% de desconto:
- Ensino infantil, fundamental e médio.
- Ensino superior (graduação e pós-graduação).
- Ensino técnico e profissionalizante.
- Ensino de línguas nativas de povos originários.
- Fora do desconto (pagarão imposto cheio):
- Ensino de línguas estrangeiras (inglês, espanhol, etc.).
- Cursos de artes e música (não profissionalizantes).
- Cursos de desenvolvimento de habilidades socioemocionais.
- Outras modalidades de formação que não se encaixem estritamente nas categorias listadas.
A polêmica está lançada e mostra que, apesar dos avanços, a reforma tributária ainda precisará de muitos ajustes para cumprir integralmente sua promessa de simplificação e justiça fiscal para todos os setores.
Reforma Tributária5 dias agoConheça as opções de tributação que a Reforma trouxe para as empresas do Simples Nacional
Contabilidade5 dias agoSenado simplifica regime tributário de profissionais liberais
Contabilidade4 dias agoComo a inteligência artificial está redefinindo a profissão contábil
Contabilidade4 dias agoO que configura crime fiscal e como manter a regularidade na sua empresa
Imposto de Renda3 dias agoEvite multas: veja as regras e novidades da Declaração do ITR 2026
Contabilidade4 dias agoECF: publicado o manual do leiaute 12 com novas tabelas dinâmicas
Simples Nacional4 dias agoComo abrir seu CNPJ em 2026 sem erro ou dor de cabeça
Contabilidade4 dias agoFGTS Digital ficará indisponível para manutenção































Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.