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Negócios

Planejamento sucessório ainda é entrave às empresas brasileiras

Autor: Wanessa

Publicado em

Apenas 10% das empresas brasileiras perpetuam de geração em geração. Apesar de não sabermos, ao certo, a razão porque isso acontece, muitas das explicações esbarram na falta de planejamento sucessório, um processo que promove profunda transformação na organização, com a aplicação das premissas do Direito, que refletem na proteção e na alavancagem do patrimônio.

A busca pela proteção dos bens pessoais dos sócios frente aos percalços da atividade empresária, a idealização da continuidade da pessoa jurídica criada e administrada por uma família, a vontade e a necessidade de um planejamento que resguarde os direitos dos herdeiros e a solução célere das questões hereditárias são alguns dos objetivos que contemplam e justificam a formação de holdings familiares, como um dos mecanismos de proteção.

O assunto, ainda um entrave a ser vencido pelas companhias no país, foi apresentado por Dr. Rodrigo Bley, advogado tributarista do escritório Ogusuku e Bley Sociedade de Advogados, um dos palestrantes do encontro entre empresários, realizado na última terça-feira (30/7), em Sorocaba/SP e promovido em parceria com a Ethimos, agente autônomo da XP Investimentos, e a a MetLife, uma das maiores empresas de serviços financeiros do mundo.

Sócio do escritório de advocacia especializado em planejamento sucessório e proteção patrimonial, Dr. Bley explicou, de forma resumida, como surgem os problemas envolvendo a sucessão empresarial. “Vamos tomar como base o exemplo clássico de uma empresa com dois sócios, cada um deles com 50% de participação, só que, em um determinado momento, um deles vem a se ausentar, por motivos diversos, como falecimento, venda da sua parte, etc. Esse fato corriqueiro pode desencadear uma série de conflitos. Vamos supor que esse sócio veio a falecer e deixou as suas cotas para três herdeiros, enquanto o outro sócio, ainda vivo, tem quatro herdeiros. Se um desses herdeiros é casado, em regime de comunhão total de bens, além dos filhos dele, a esposa também terá direito a uma parte da empresa e, assim, sucessivamente com os demais herdeiros, ampliando significativamente esse quadro societário e criando sócios majoritários e minoritários podendo ocasionar sérios problemas de gestão. Uma situação difícil, porém, muito comum entre as empresas brasileiras”, falou.

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Outro dado interessante apresentado pelo especialista são os números de empresas constituídas por famílias no Brasil. “A sucessão é uma etapa que todas as empresas, em algum momento, irão vivenciar. Mas, é nas empresas familiares que essa fase pode assumir características que a tornam ainda mais delicada, um momento que irá garantir, ou não, a sua perpetuidade. Cerca de 90% das empresas brasileiras são de origem familiar e é sabido que a maioria não se planeja quanto à sucessão patrimonial. 75% delas não chegam à segunda geração, 15% não passam para a terceira e apenas 10% conseguem se perpetuar de geração a geração”, enumerou Dr. Bley.

Uma das muitas ferramentas existentes para proteger o patrimônio dessas empresas, disse o advogado tributarista, é a estruturação de holdings. “A sucessão é, e sempre foi, um acontecimento decisivo para as organizações familiares, pois se trata de uma etapa quando deverão alcançar o sucesso e o amadurecimento no mercado, sendo, sem dúvida, um divisor de águas entre aquelas que triunfam e as que fracassam”, comentou.

Após, Jhonnatas Lincoln, representante da Ethimos, falou sobre um produto da MetLife, um seguro amplamente utilizado nos Estados Unidos e na Europa, mas ainda pouco conhecido no Brasil, o “Whole Life Insurance” (seguro para a vida inteira). “Quando uma empresa possui um patrimônio constituído ou uma família construiu uma fortuna ao longo do tempo, para que os herdeiros ou sócios tenham acesso a esse dinheiro, na situação de ausência de alguém, chega-se a gastar de 15% a 20% do valor patrimonial, em razão da legislação brasileira, que prevê custos com cartório, impostos e uma série de outros encargos, que verdadeiramente delapidam o patrimônio. Lá fora, isso é ainda pior. Os encargos chegam a 50% do valor a receber. É uma quantia entregue a terceiros absurda”, destacou.

O seguro da MetLife, detalhou Jhonnatas, oferece a possiblidade de o contratante vender esse risco à empresa por menos da metade do valor estimado a ser gasto com os encargos. Por exemplo, para receber uma apólice de R$ 3 milhões, a família paga R$ 1,2 milhão em aportes mensais ao longo de 10 anos. E, caso deseje resgatar o montante investido a qualquer momento, a seguradora devolve todo o valor corrigido pelos rendimentos da inflação, já a partir do primeiro mês. “É um aporte 100% resgatável, que ainda pode ser usado como uma forma de alavancar o patrimônio, além de protegê-lo”, disse.

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