Chamadas
Reforma tributária, do jeito que está, é um desestímulo ao emprego
A reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional vai elevar a carga sobre setores da economia que mais geram postos de trabalho. É o que aponta um estudo da ROIT, empresa que aplica soluções em inteligência artificial na gestão contábil, fiscal e financeira das organizações. Os resultados do levantamento já foram cedidos ao Senado, após terem sido apresentados pelo tributarista Lucas Ribeiro, fundador e CEO da ROIT, em audiência pública no último dia 23.
“Esta reforma, do jeito que está, desestimula a geração de empregos”, afirma Ribeiro. “Setores como o de serviços, em especial aqueles com mão-de-obra intensiva ou de alto valor agregado, como é caso da área de tecnologia e inovação, terão, na prática, alíquotas efetivas sobre receita bruta elevadíssimas, de até 3,5x mais do que a atual, porque não são atividades em que há compra significativa de insumos tributados por IVA, uma vez que sua principal geração de riqueza se dá a partir da folha de pagamentos. E o texto atual não permite o crédito sobre folha”.
Leia também: Reforma Tributária Do Comércio Exterior X Sistema Tributário
Mesmo em atividades com geração de créditos tributários, como na indústria, empresas que mais mantêm postos de trabalho serão penalizadas, ressalva o especialista. O estudo da ROIT fez uma simulação, comparando duas indústrias hipotéticas, considerando para ambas a mesma receita bruta e custos diretos, mas com investimentos e folha de pagamento diferentes. A que tem maiores despesas com pessoal terá uma carga tributária até duas vezes maior.
Leia também: Entenda Como A Reforma Tributária Impacta O Agronegócio Brasileiro
Para a simulação, foi considerada a alíquota prevista para o Imposto de Valor Agregado (IVA), de 25%, tributo a ser criado pela reforma tributária em substituição ao IPI, PIS, Cofins, ISS e ICMS. Confira a simulação:

“Como se vê”, aponta Lucas Ribeiro, “a indústria com mais investimentos – compras de matérias-primas e outros insumos – mas com menor empregabilidade vai gastar menos com imposto do que a indústria que mantiver ativos mais postos de trabalho”. Para o especialista, a reforma tributária, para corrigir essa distorção do texto atual, deveria prever mecanismo de crédito tributário também sobre a folha de pagamento.
Do contrário, continua Lucas Ribeiro, o Legislativo estará em incoerência com os próprios esforços que vêm empenhando para aliviar a carga tributária sobre despesas com pessoal. Por exemplo, com o Projeto de Lei 334/2023, que prorroga até 2027 a desoneração de folha para 17 setores da economia.
O projeto – que já teve aprovado regime de urgência para tramitação – trata de substituir a contribuição previdenciária patronal, de 20% sobre a folha de salários, por alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta. “Ao mesmo tempo, em que, de um lado, o legislador demonstra essa preocupação, de outro, na reforma tributária, está deixando escapar”, adverte o tributarista. “Pouco adianta deputados, senadores e especialistas dizerem que o IVA é sobre consumo, isso é um equívoco, IVA é sobre MARGEM, é sobre o que se agrega de valor ao produto ou serviço, que pode ser repassado ao consumidor final, caso ele aceite pagar o preço novo. Ou terá que ser absorvido pela empresa”, alerta.
O texto da reforma tributária é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 45/2019). O Senado pretende concluir a votação no início de outubro, e o governo espera que a reforma seja promulgada até dezembro, para passar a valer em 2026 (quando se inicia o período de transição). O IVA a ser criado será segmentado em dois: Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que segundo o especialista, ainda não tem definição de quanto poderá representar do IVA total, de arrecadação da União; e o Imposto sobre Bens e Serviços, de arrecadação de Estados e Municípios, que podem ter de ficar com o que “sobrar” após a CBS.
Curso Completo de Analista Contábil na Prática
Que tal aprender TUDO sobre contabilidade, desde o básico até as práticas profissionais AVANÇADAS? Neste curso de Contabilidade, você vai aprender MUITO sobre escrituração contábil na PRÁTICA, com a utilização de diversos métodos aplicados pelos professores, profissionais com mais de 10 anos de experiência na área contábil.
Por Lucas Ribeiro
Simples Nacional4 dias agoReforma Tributária cria novo desafio para empresas do Simples Nacional
Contabilidade3 dias agoe-BEF: Regras e obrigatoriedade da nova obrigação acessória
Imposto de Renda3 dias agoReceita faz pente-fino e cobra R$ 238 milhões de devedores do Imposto de Renda
Contabilidade3 dias agoContador para abrir CNPJ é necessário?
INSS3 dias agoINSS inicia pagamentos da 2ª parcela do 13º para aposentados e pensionistas
CLT4 dias agoA partir de terça, trabalhador pode usar o FGTS para quitar dívida no Desenrola 2.0
Contabilidade3 dias agoComissão da Câmara aprova fim do “cálculo por dentro” em tributos
Imposto de Renda3 dias agoFim da Dirf e transição para o eSocial geram falhas no Imposto de Renda



























Receba nossas notícias pelo WhatsApp em primeira mão.