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MEI

Votação do novo teto do MEI está prevista para julho

Projeto que reajusta limite de faturamento para R$ 134 mil ganha força e prevê contratação de segundo funcionário.

Autor: Ana Luzia Rodrigues

Publicado em

A tramitação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que prevê a atualização do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), ganhou um novo ritmo nos bastidores de Brasília. 

O relator da proposta, deputado federal Jorge Goetten (Republicanos-SC), em entrevista ao Jornal Diário do Comércio, confirmou que o relatório final deve ser votado na Comissão Especial da Câmara já na segunda semana de julho, seguindo com celeridade diretamente para o plenário.

A aceleração do cronograma, que antes estava previsto apenas para o período pós-eleitoral, foi impulsionada pelas intensas movimentações em torno da PEC 221/2019, que propõe o fim da escala trabalhista 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. 

No cenário político atual, a atualização do teto do MEI passou a ser encampada por parte dos parlamentares como uma espécie de medida compensatória aos pequenos empresários, apontados como os mais afetados caso as mudanças na jornada de trabalho sejam aprovadas. 

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Embora caminhe de forma autônoma, a proposta pegou carona na janela de oportunidade aberta pelo debate trabalhista, fruto de articulações que envolvem o Palácio do Planalto e a presidência da Câmara.

Consenso econômico e as novas regras para 2027

De acordo com o relator, há um consenso com a equipe econômica do governo sobre a necessidade de readequar as regras do MEI, permitindo inclusive a contratação de um segundo funcionário. 

O principal impasse, contudo, reside na resistência do Ministério da Fazenda em estender a atualização dos limites para as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte dentro do Simples Nacional, embora o bloco parlamentar de apoio ao setor produtivo pressione para que ambos os reajustes tramitem em conjunto.

Enquanto entidades de classe, como a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), defendem um teto de R$ 144,9 mil para o MEI com base na inflação acumulada, a tendência é que o relatório fixe o novo limite anual em R$ 134 mil. 

A proposta estabelece que as novas regras entrem em vigor em 2027, instituindo gatilhos de reajustes automáticos sempre no mês de janeiro de cada ano. O objetivo é impedir que a categoria enfrente novos vácuos temporais de congelamento, a exemplo do que ocorre desde o último reajuste oficial, aplicado em 2018.

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Justiça tributária contra o fantasma da renúncia fiscal

O debate sobre o impacto orçamentário divide opiniões no Parlamento. Setores técnicos e críticos do projeto classificam a ampliação do teto como uma renúncia fiscal que poderia custar cerca de R$ 48,5 bilhões aos cofres públicos. 

A bancada governista demonstra forte preocupação com a meta fiscal, argumento rebatido veementemente por Goetten. Para o relator, a medida não constitui renúncia, mas sim uma correção inflacionária histórica devido à falta de atualização desde 2018, classificando a ausência de correção como uma distorção injusta com os trabalhadores autônomos.

Reforçando o braço de apoio aos pequenos negócios, o relatório também deve trazer um dispositivo emergencial: caso o fim da escala 6×1 seja chancelado pelo Congresso, os microempreendedores afetados terão o direito de contratar mais um funcionário com isenção total da contribuição patronal por um período de dois anos. 

Parlamentares da oposição criticam a falta de celeridade histórica do governo em pautar o Simples Nacional, apontando que a mobilização das frentes frentes empreendedoras será crucial para garantir que a atualização saia do papel.

Desenquadramento e a sobrevivência do setor

A urgência da aprovação reflete a realidade de um modelo que permanece estagnado em R$ 81 mil anuais há oito anos. Atualmente, o microempreendedor que ultrapassa esse faturamento em mais de 20% é sumariamente desenquadrado e empurrado para a categoria de Microempresa. 

Na prática, a transição abrupta eleva a contribuição mensal — que hoje gira em torno de R$ 87,05 — para alíquotas que podem variar de 4% a 30% sobre o faturamento bruto, além de exigir custos fixos como a contratação de contadores e o cumprimento de severas obrigações burocráticas.

Estatísticas apontam que o teto defasado funciona como uma barreira ao crescimento ou uma armadilha de insolvência. Os microempreendedores individuais representam 78% dos pequenos negócios ativos no país, mas enfrentam um alto índice de mortalidade empresarial. 

Somente no primeiro trimestre de 2026, mais de 71% das empresas que fecharam as portas no Brasil pertenciam a essa categoria. Para os defensores do projeto, reajustar o teto não é apenas uma decisão econômica, mas uma medida de sobrevivência para a base da economia formal brasileira.

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