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Padronização de informações via código de barras ajuda a reduzir erros no Sped

Autor: loureiro

Publicado em

A conexão de informações tem sido o grande desafio do setor contábil para atender às regras da Receita Federal, que tem migrado a documentação exigida das empresas, antes em papel, para plataformas eletrônicas.

O Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), que começou a ser implementado em 2007, ganha complementos a cada ano. Hoje, é preciso atender às demandas do Sped Contábil, Sped Fiscal, EDF Contribuições e Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), entre outras, o que requer atenção redobrada dos profissionais da Contabilidade para evitar erros na hora de validar os dados enviados ao fisco.

Um dos aliados nesse cenário de mudanças é o código de barras padrão GS1, que permite a uniformidade das informações em todo o processo.

“O nosso objetivo é levar informação aos contadores, para que possam orientar os seus clientes sobre a necessidade e a importância do código de barras padronizado”, destaca João Carlos de Oliveira, presidente da GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação, entidade responsável pela aplicação do código de barras.

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Para se ter uma ideia, uma empresa que trabalha com diversos fornecedores, por exemplo, recebe informações diferentes de cada um deles. Assim, ele precisa fazer a conexão do cadastro de cada um desses produtos, caso não tenham código de barras padronizado.

“Quando os dados são únicos e tudo está automatizado, a operação fica mais barata, mais correta, e conseguimos repassar informações precisas ao governo”, destaca Elinton Marçal, diretor de tecnologia e marketing da SCI Sistemas Contábeis, empresa de Blumenau (SC).

Segundo ele, essa expertise tecnológica será fundamental daqui para frente na vida dos contadores, principalmente quando o assunto é Sped Fiscal e EDF Contribuições. “Nesses dois casos, tudo é controlado na nota fiscal, produto a produto.

A grande dificuldade das empresas e contadores é fazer um link entre essas informações e reuni-las de forma padronizada”, alerta o especialista.

Os números comprovam o tamanho do desafio a ser enfrentado. Uma verificação de auditoria eletrônica realizada pelo escritório Siqueira Lazzareschi de Mesquita Advogados (SLM Advogados), de São Paulo, apurou que 95% empresas dos setores industrial e comercial de grande e médio porte cometem erros nas informações fiscais encaminhadas à Receita Federal por meio do Sped.

“As penalidades e ou aplicação de multas por erros na escrituração digital podem chegar a 200% do valor das operações”, adverte Ana Paula Lazzareschi de Mesquita, diretora da SLM Advogados, ressaltando a importância de validar preventivamente todo o processo, de forma a minimizar riscos e evitar surpresas, como o auto de infração.

Nota Fiscal Eletrônica

O código de barras passou a integrar a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), uma obrigatoriedade para todos os produtos que são identificados pelo chamado GTIN (sigla em inglês para Numeração Global de Item Comercial).

Essa medida passou a garantir automação no recebimento, código único para controle dos produtos, melhoria no controle de estoque e conferência do pedido enviado.

Do ponto de vista da automação, segurança e rastreabilidade das entregas de produtos, os processos logísticos ficaram mais ágeis, uma vez que o documento acompanha, em tempo real, as operações comerciais pelo fisco.

Ao influenciar todo o planejamento logístico da cadeia de suprimentos, a NF-e reduziu, inclusive, os custos no controle fiscal de mercadorias em trânsito, Ao substituir o sistema de emissão do documento em papel, o documento fiscal eletrônico facilita a vida do contribuinte e a fiscalização sobre operações tributadas pelo ICMS e o IPI.

Além disso, aumentou a eficiência da gestão de informações fiscais e melhorou o intercâmbio e o compartilhamento de dados entre os fiscos e entre as empresas.

“A NF-e já se mostrou capaz de abrir oportunidades de negócios e empregos na prestação de serviços ligados a ela, de incentivar o comércio eletrônico e, principalmente, causar o impacto positivo no meio ambiente.

Afinal, quando não se emite mais notas fiscais tradicionais, reduz-se o consumo de papel, além de evitar o retrabalho em várias etapas administrativas”, destaca Oliveira.

Para o coordenador da Comissão de Estudos de Tecnologia da Informação do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Ronaldo Silvestre, a leitura do código de barras revoluciona o método de registrar as informações nos documentos fiscais. Confira a entrevista do especialista à GS1 Brasil.

GS1 Brasil – De que forma o código de barras pode ajudar na geração de dados contábeis?

Ronaldo Silvestre – Os códigos de barras, através de sua leitura nos documentos fiscais, revolucionaram o método de imputar informações nos sistemas de contabilidade, agilizando sobremaneira o ato de lançar documentos fiscais, garantindo fidelidade e agilidade. O que precisa é ultrapassar a barreira para incluir os documentos não fiscais.

GS1 Brasil – A padronização poderia facilitar a geração de informações de gestão e contabilidade (caso do código de barras utilizado no sistema de ERP, para facilitar lançamentos contábeis via intregação de sistemas)?

Silvestre – Isso já ocorre na área fiscal, mas poderia ocorrer nos demais documentos como extratos bancários, recibos, contratos etc. E tudo o que evitar digitação traz mais segurança e agilidade

GS1 Brasil – De que forma a gestão de estoques possível com o uso do código de barras aumenta a confiabilidade dos dados e interfere no processo contábil?

Silvestre – Para gerir estoques, seja como ferramenta de localização ou mesmo recebimento, armazenagem e expedição (wms), a utilização de código de barras vem se ampliando e hoje é impossível conceber uma operação de volume médio sem estes controles

GS1 Brasil – A padronização dos dados poderia, por exemplo, contribuir para evitar erros no Sped?

Silvestre – Toda a padronização é bem-vinda. Para evitar erros nos Speds, é importante que a classificação seja adequada e a conversão dos dados obtidos das mais diversas formas seja fiel.

O uso do código de barras dos documentos fiscais para imputar dados nos EPRs já tem contribuído sobremaneira para evitar erros nas declarações geradas em âmbito estadual e federal.

Sobre a GS1 Brasil

A GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação é uma organização sem fins lucrativos que representa nacionalmente a GS1 Global. Em todo o mundo, a GS1 é responsável pelo padrão global de identificação de produtos e serviços (Código de Barras e EPC/RFID) e comunicação (EDI e GDSN) na cadeia de suprimentos.

Além de estabelecer padrões de identificação de produtos, a associação oferece serviços e soluções para as áreas de varejo, saúde, transporte e logística. A organização brasileira tem 58 mil associados. Mais informações em www.gs1br.org.

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